Uma resposta criacionista ao apoio filosófico para a TUCA

Foram apresentados três argumentos filosóficos para a TUCA: um mecanismo que pode ser estudado; evitar a necessidade de postular um deus mau; e a capacidade de uma única teoria explicar tantas observações. Entretanto, nenhum destes argumentos é forte. O fato de que a teoria propõe um mecanismo que pode ser estudado não nos diz nada sobre se a teoria é realmente verdadeira. Isto só indica se a teoria pode proporcionar oportunidades de emprego para os cientistas. A presença do mal não exige que se postule um deus mau: um Deus bom pode permitir o mal a fim de preservar a liberdade, enquanto assegura a eliminação do mal no futuro. A habilidade da teoria em explicar muitas observações é um bom ponto, mas é enfraquecida pela sua falha em explicar muitas outras observações. Uma teoria que explica só parte das observações não pode ser considerada conclusiva. Isso se aplica também à teoria criacionista. Nenhuma das teorias pode ser demonstrada conclusivamente e é provável que as considerações filosóficas sejam o principal fator que determine qual teoria uma pessoa prefere.

 

Resumo

Há uma boa evidência de que as espécies são variáveis e parece que muitas variedade e espécies podem ser produzidas a partir de um único ancestral. Entretanto, não parece que as espécies podem produzir novas estruturas morfológicas ou produzir descendentes mais complexos. Necessita-se de outra teoria para explicar o resto da evidência.

EVIDÊNCIA DE MÚLTIPLAS ANCESTRALIDADES SEPARADAS

Numerosas linhas de evidência sugerem que as espécies não possuem um ancestral comum. Muitas características dos seres vivos são explicadas mais facilmente pela teoria das múltiplas ancestralidades separadas (TMSA). Algumas das principais evidências serão descritas abaixo.

 

Apoio biológico

  1. A seleção experimental mostra variação limitada nas espécies. Nunca se conseguiu produzir, através da seleção experimental, algo equivalente a um novo tipo de organismo ou um novo órgão. Cães são sempre cães; a variação pode ser impressionante, mas ela não é progressiva. A teoria das ancestralidades separadas pode explicar porque há tantos tipos diferentes de organismos, cada qual com variabilidade limitada.
  2. Diferentes grupos de organismos têm seus próprios sistemas de interações gênicas e desenvolvimento embrionário. Por exemplo, répteis, anfíbios e aves seguem vias de desenvolvimento embrionário bastante diferentes. Cada grupo tem, provavelmente, alguns genes e interações gênicas singulares, embora o estudo deste tópico esteja ainda em seus primeiros estágios. Cada grupo passa por estágio de blástula semelhante durante o desenvolvimento embrionário. Por que diferentes interações gênicas produzem efeitos morfológicos temporariamente semelhantes; e ainda, por que os estágios adultos são tão diferentes? Em contraste, genes semelhantes podem produzir resultados diferentes. Por exemplo, moscas e homens tem um gene semelhante que controla o desenvolvimento do olho, mas os seus olhos têm uma estrutura radicalmente diferente. Estas questões são respondidas facilmente pela TMSA, segundo a qual princípios e materiais semelhantes foram organizados de diferentes maneiras em "biossistemas" diferentes.
  3. Muitos grupos são separados por diferenças qualitativas e quantitativas na informação genética. Desconhece-se a composição genética exata das espécies viventes, com exceção de alguns poucos organismo muito simples. Entretanto, parece claro que algumas espécies possuem genes que não estão presentes em outras espécies. Por exemplo, os mamíferos têm hormônios placentários que aparentemente não estão presentes em outros grupos. Existem provavelmente milhares de outros exemplos de genes que pertencem a apenas um grupo particular. A adição de informação genética por qualquer outro modo que não a atividade de um criador inteligente, requer uma série de eventos que são tão altamente improváveis que nenhuma outra teoria parece plausível.
  4. Alguns grupos têm estruturas morfológicas que não estão presentes em outros grupos. É implausível pensar que estas novas estruturas morfológicas podem surgir do nada. Os organismos viventes possuem muitas estruturas morfológicas, de tipos variados, que estão restritas a certos grupos de organismos. Cada novo órgão requer informação genética para seu próprio desenvolvimento e informação genética para coordenar sua função com o resto do corpo. O desenvolvimento de novas estruturas morfológicas não é visto em experimentos de laboratório; também não é visto no registro fóssil. O único método plausível para o desenvolvimento de novas estruturas morfológicas é através da atividade criadora de um ser inteligente.
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    Apoio paleontológico

  6. O registro fóssil mostra grupos separados em toda sua extensão. Os grupos fósseis raramente unem-se em ancestralidade comum no registro fóssil, com exceção, talvez, de uns poucos exemplos nos níveis taxonômicos inferiores, tais como espécies e raças. Os grupos maiores, como Filos e Classes, mantém suas identidades separadas em toda a coluna geológica. Isto apoia a TMSA.
  7. Grupos adicionais de fósseis aparecem abruptamente em toda a coluna geológica. A famosa "Explosão Cambriana" inclui a maioria dos Filos e Classes de organismos viventes que apresentam partes duras o suficiente para produzir fósseis facilmente. Mesmo se alguém acredita que o registro fóssil representa longos períodos de tempo, a "Explosão Cambriana" indica ancestralidades separadas, pelo menos para os principais grupos de organismos. Outros exemplos de aparecimento abrupto estendem esta conclusão a grupos taxonômicos inferiores. As categorias taxonômicas são determinadas subjetivamente, assim não se pode fazer uma generalização coletiva, ligando os limites para mudanças com categorias taxonômicas específicas; cada caso requer consideração separada e testes.
  8. As lacunas sistemáticas na taxonomia implicam em múltiplas ancestralidades separadas. Lacunas relativamente pequenas, mas significantes, aparecem entre quase todas as espécies fósseis. Lacunas muito maiores aparecem entre as categorias superiores, tais como Ordens, Classes e Filos. Quando visualizadas com o tempo, as lacunas no registro fóssil poderiam ser casuais. Entretanto, elas são sistemáticas. Isto é o contrário do esperado. Apesar de se explicar este fato como sendo devido a um registro fóssil incompleto, parece estranho que as maiores lacunas no registro fóssil devam ocorrer onde se propõe as maiores quantidades de mudança. Por exemplo, existem muitos fósseis de moluscos e muitos fósseis de artrópodes, mas nenhum fóssil que seja um elo razoável entre estes dois grupos.
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    Apoio filosófico e teológico

  10. As Escrituras descrevem grupos criados separadamente. Gênesis 1 faz menção separada dos seguintes grupos: ervas que produzem sementes; árvores frutíferas (verso 11); monstros marinhos (baleias?); criaturas aquáticas; aves (verso 21); animais domésticos, criaturas rastejantes; animais selvagens (verso 25); homens (verso 27). Os grupos criados são geralmente identificados mais pelo seu habitat do que pelo nome do grupo. Parece claro no relato que cada grupo, por exemplo, "criaturas rastejantes" consiste de muitos tipos distintos, todos criados ao mesmo tempo.
  11. A teoria da ancestralidade comum universal requer que tenha ocorrido morte antes do pecado de Adão. De acordo com a TUCA, bilhões de organismos viveram e morreram muito antes da evolução do homem. Isto desfaz a relação causal entre a morte e o pecado. Já foram feitas tentativas de distinguir entre as implicações morais da morte humana e da morte animal, mas a TUCA não fornece base plausível para tal distinção. A história do Gênesis da TMSA explica a diferença moral entre homens e animais.
  12. A teoria da ancestralidade comum universal implica em que Deus é mau. A evolução depende da eliminação das espécies devido a escassez de recursos, competição, predação e outros fatores que consideramos malignos. Se estes não são os resultados naturais do pecado humano, então eles pareceriam ser os resultados da livre escolha de Deus. Tal deus seria menos moral do que nós. A TMSA explica as origens dos grupos separados sem invocar um deus mau.

 

 

 

Resumo

A teoria das múltiplas ancestralidades separadas explica a maioria dos dados pertinentes. Eu acho que ela faz isso melhor do que a teoria da ancestralidade comum universal. O apoio para a TMSA está baseado nas observações da biologia e paleontologia, e em argumentos filosóficos e teológicos. A TMSA não pode ser provada cientificamente, mas é uma teoria bem sucedida em explicar as origens da biodiversidade.

 

DISCUSSÃO DA TMSA

A teoria das múltiplas ancestralidade separadas fornece uma boa explicação para uma grande variedade de observações científicas. Os cristão podem desejar saber como ela se relaciona com a Bíblia e como ela poderia ser usada. Estes dois tópicos são discutidos abaixo.

 

A possibilidade de mudanças nas espécies é bíblica

Mudanças nas espécies fazem parte da visão bíblica (Gênesis 3). De acordo com Gênesis 3, a natureza foi amaldiçoada, o que resultou em mudanças nas espécies. Mudanças nas plantas resultariam na produção de cardos e espinhos. Mudanças no crescimentos das plantas produziriam ervas daninhas e exigiriam trabalho pesado. Mudanças nas cobras resultariam na necessidade de rastejar sobre os seus ventres. Devem ter ocorrido mudanças na natureza dos animais para produzir predadores e parasitas. Freqüentemente se diz que estas mudanças são "conseqüência do pecado". Isso implica em algum tipo de mecanismo genético, tal como uma "maldição criativa" ou um experimento satânico. Algumas dessas mudanças poderiam ser neutras, mas a maioria delas seria provavelmente degenerativa.

Um mecanismo genético para produção de variação pode ser parte do plano de contingência de Deus, para um mundo governado por Satanás. O ambiente atual é muito diferente do mundo criado originalmente. Se plantas e animais não tivessem sido criados com capacidade para se adaptar, é provável que a maioria deles, talvez todos, já estivessem extintos. A variabilidade genética pode ser a maneira de Deus prover a sobrevivência da diversidade de vida que Ele criara.

As mudanças nas espécies têm produzido novas espécies. Um grupo de espécies semelhantes pode ter vindo de um ancestral comum, mas grupos separados devem representar "ancestrais" diferentes criados separadamente. Os criacionistas usam freqüentemente o termo "tipos do Gênesis" para representar as espécies originalmente criadas por Deus. A Bíblia descreve brevemente a criação de muitas "espécies" (tipos) diferentes de animais, confirmando esta idéia. Entretanto, os criacionistas freqüentemente adicionam às escrituras a noção de que Deus proibiu as mudanças nos animais. Esta idéia de que as espécies são fixas não é uma idéia bíblica, mas sim derivada da filosofia grega antiga. A Bíblia não estabelece limites de quanto as espécies podem mudar, mas ela afirma que Deus criou muitos tipos no princípio.

As semelhanças entre grupos de espécies similares podem ser devidas a um planejamento comum ao invés de a uma descendência comum. Um bom planejamento pode ser útil em mais de um lugar. Parece que o Criador usou tipos semelhantes de características planejadas em tipos semelhantes de organismos. Os evolucionistas podem interpretar estas semelhanças como resultado da evolução, mas os criacionistas são livres para interpretá-las como resultado de um planejamento comum.

 

Alguns critérios possíveis para identificar espécies que possuem uma ancestralidade comum

Parece razoável que as espécies originais, criadas para um mundo sem pecado, pudessem ter produzido descendentes com variações, que nós reconhecemos como espécies diferentes. Como poderíamos identificar tais casos?

Vou propor três critérios para identificar a ancestralidade comum. Primeiro, se as diferenças entre duas ou mais espécies não são maiores do que o tipo de variação observado dentro de uma única espécie, é razoável supor que elas poderiam ter um ancestral comum. Este critério é provavelmente satisfeito em muitos casos por espécies dentro de um único gênero. Segundo, se duas ou mais espécies são capazes de hibridizar e produzir descendência, seja ela estéril ou fértil, deve-se suspeitar de ancestralidade comum. Cavalos, asnos e zebras são um exemplo, e suspeitamos que todos eles descenderam de um ancestral comum. Terceiro, se a comparação de duas ou mais espécies mostra que nenhuma delas tem genes únicos ou elementos únicos em seus programas de desenvolvimento, elas são candidatas à ancestralidade comum. Nosso conhecimento neste campo é muito incompleto e atualmente ainda não é possível testar este critério.

Nós deveríamos tentar deduzir alguns critérios para identificar ancestralidades separadas. Uma espécie que possui genes incomuns ou um programa de desenvolvimento incomum provavelmente não compartilha de ancestralidade comum com outras espécies que não apresentam estas características. Espécies que apresentam diferentes inovações morfológicas provavelmente têm ancestralidades diferentes. As espécies ou grupos mencionados no relato da criação de Gênesis teriam sido criadas separadamente. O insucesso em hibridizar pode sugerir ancestralidades separadas, mas não prova. Uma espécie que não exibe variação significativa em uma característica que a distingue de outra espécie, provavelmente tem ancestralidade separada.

 

 

 

"EVOLUÇÃO", CIÊNCIA E HISTÓRIA

 

"Ciência" histórica

Muitas pessoas não compreendem que "ciência" é uma palavra com diferentes significados. No contexto da origem da biodiversidade, as diferenças são de importância crítica. "Ciência histórica" é fundamentalmente diferente de "ciência experimental". Na ciência experimental, especifica-se as condições iniciais e observa-se o resultado. Se as condições iniciais não são alteradas, espera-se o mesmo resultado. Na ciência histórica, só os resultados podem ser vistos. As condições iniciais são desconhecidas. Se as condições iniciais estiverem fora de nossa experiência, não podemos saber quais são elas. Se as condições iniciais forem modificadas intencionalmente por intervenção divina, facilmente ficaremos confusos, a menos que sejamos iluminados pela revelação divina.

Eu afirmo que a TUCA não é uma hipótese científica, mas sim uma pressuposição da teoria da evolução. A maioria das pessoas pensam na ciência como sendo operada através de experimentação. Neste sentido, a "TUCA" não é científica, porque ela não pode ser submetida à experimentação. A TUCA é uma pressuposição da teoria da evolução. Num sentido mais técnico, ciência significa testes de hipóteses. Neste sentido, a TUCA também não é científica porque a ancestralidade comum é uma suposição, não testada. Quanto eu saiba, nenhum evolucionista construiu um teste para a ancestralidade comum.

 

A Ciência e as Escrituras

Nenhuma teoria do passado tem todas as respostas. Nem a criação nem a evolução explicam tudo o que vemos. Existem muitas perguntas não respondidas sobre o passado, independentemente do que se acredita. Ninguém pode fazer uma determinação absoluta baseada unicamente na evidência científica. Destacam-se dois fatores que podem influenciar a posição de uma pessoa.

  1. A confiança relativa que se tem na revelação. Um ponto crítico na avaliação da evidência é a confiança relativa que se tem na revelação. Aqueles que valorizam muito a revelação sem dúvida estarão predispostos a crer na criação. Aqueles que não valorizam a revelação devem depender de outras linhas de evidência. Há um número significante de pessoas que não valorizam muito a revelação, mas ainda duvidam da teoria de evolução. Entretanto, aqueles que rejeitam a revelação estão provavelmente mais propensos a aceitar a teoria da evolução, simplesmente pela falta de uma alternativa melhor.
  2. Se há o desejo de excluir Deus completamente de qualquer explicação potencial. Um segundo ponto crítico é o desejo de excluir Deus completamente de qualquer explicação potencial. Aqueles que preferem explicações que não incluem possibilidade alguma de atividade sobrenatural rejeitarão a criação. Ao fazerem isso, a evolução, em qualquer de suas formas, é a única teoria alternativa. Aqueles que estão desejosos de aceitar teorias que incluem a possibilidade de atividade divina são propensos a pensar que a evolução é implausível. Muitos considerarão a criação como uma explicação atrativa para a diversidade biológica.

 

CONCLUSÃO

A palavra "evolução" tem tantos significados que provavelmente é confuso afirmar se ela é verdadeira ou não. A ancestralidade comum universal é uma suposição feita por muitos cientistas, mas há muitas evidências contra ela. A teoria das múltiplas ancestralidades separadas fornece uma boa explicação para a maioria das observações relativas à biodiversidade. Para aqueles que não desejam excluir a atividade intencional de Deus na natureza, é bastante razoável concluir que a origem da biodiversidade envolveu atos separados de criação, realizados por um ser inteligente.

 

PARTE 1