| Avanços
no conhecimento científico geralmente confirmam a veracidade
das questões de fé. Entretanto, com respeito à
origem do Universo, da Terra e da vida e sua história, encontramos
opiniões contraditórias do ponto de vista mundano. Asserções
baseadas em estudos das Escrituras com freqüência apresentam-se
em declarado contraste às hipóteses sugeridas pela Ciência
e metodologias empregadas no estudo da natureza. Essa tensão
produz impacto direto na vida da igreja, sua mensagem e testemunho.
Celebramos a vida de fé. Defendemos a vida de aprendizado.
Ambas estão nas Escrituras e no processo do planejamento da
natureza, vemos indicadores da maravilhosa mente do Criador.
Desde os seus primeiros dias, a Igreja Adventista do Sétimo
Dia tem promovido o desenvolvimento da mente e da compreensão
por meio de disciplinas da adoração, educação
e observação.
Nas primeiras décadas, a discussão sobre a teoria das
origens ocorreu primeiramente em nível acadêmico. Entretanto,
o naturalismo filosófico (inteiramente natural, fortuito e
por um processo aleatório acerca do passar do tempo) tem obtido
larga aceitação na educação e formas básicas
de suposição pela maior parte do que é ensinado
pelas ciências sociais e naturais. Em muitos aspectos do dia-a-dia,
membros e estudantes adventistas enfrentam esse parecer e suas implicações.
Em sua Declaração das Crenças Fundamentais [Nisto
Cremos], a Igreja Adventista do Sétimo Dia afirma a criação
divina conforme descrita na narrativa do primeiro capítulo
de Gênesis. "Deus é o Criador de todas as coisas,
e revelou nas Escrituras o relato autêntico de Sua atividade
criadora. 'Em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra e tudo
que tem vida sobre a terra' e descansou no sétimo dia daquela
primeira semana. Assim, Ele estabeleceu o sábado como perpétuo
monumento comemorativo de Sua esmerada obra criadora. O primêiro
homem e âprimeiraêfuttlher fó_ ram formados à
imagem de Deus, como obra-prima da Criação. Foi-lhes
dado o domínio sobre o mundo e atribuiu-se-lhes a responsabilidade
de cuidar dele. Quando o mundo foi concluído, ele era 'muito
bom: proclamando a glória de Deus. (Gên. 1; 2; Êxo.
20:8-11; SaL 19: 1-6; 33:6 e 9; 104; Heb. 11:3.)"
Congressos sobre ciência e fé - Em virtude da
crescente e penetrante influência da teoria da evolução,
a Comissão Executiva da Associação Geral (Concílio
anual 2001) autorizou a realização de uma série
de conferências sobre fé e ciência durante três
anos. Esses congressos não foram elaborados com a finalidade
de modificar a posição da Igreja longamente defendida
acerca da Criação, mas para rever as contribuições
e limitações que tanto a fé como a ciência
trazem à nossa compreensão a respeito das origens. As
principais razões que motivam a realização desses
congressos envolvem:
1. Questões filosóficas. Existe um constante desafio
para definir o relacionamento entre a teologia e a ciência,
entre a fé e a razão. Existem duas correntes de conhecimento
em parceria ou em conflito? Devem ser vistas como interativas, ou
são independentes, sem omitir as esferas do conhecimento? O
parecer dominante no mundo da sociedade moderna interpreta a vida,
a realidade física e o comportamento, de forma notadamente
diversa do ponto de vista cristão. Como pode um cristão
relacionar-se com essas coisas?
2. Questões teológicas. Como deve ser interpretada a
Bíblia? O que é requerido do crente pela leitura completa
do texto? Com que amplitude o conhecimento científico deve
acrescentar informação ou enriquecer nossa compreensão
das Escrituras, e vice-versa?
3. Questões científicas. Os mesmos dados a respeito
da natureza estão disponíveis para todos os observadores.
O que dizem, ou o que significam eles? Como alcançaremos interpretações
e conclusões corretas? É a Ciência instrumento
ou filosofia? Como podemos distinguir entre a boa e a má ciência?
4. Instrução para os membros da igreja. Como deve um
membro da igreja lidar com a variedade de interpretações
do relato do Gênesis? Que tem a Igreja a dizer com respeito
aos que encontram em seu currículo educacional idéias
que confrontam sua fé? Manter silêncio quanto a tais
assuntos dá a entender coisas confusas, sugere a incerteza
e promove solo fértil para pontos de vista dogmáticos
não comprovados.
5. Desenvolvimento da fé viva. O esclarecimento e a reafirmação
da teologia acerca das origens com base na Bíblia concederão
aos membros uma estrutura para que estejam habilitados a lidar com
os desafios concernentes a este assunto.
Congressos sobre Fé e Ciência não foram elaborados
simplesmente para incentivo intelectual de seus participantes, mas
para servir de oportunidade que lhes proveja orientação
e guia práticas para os membros da Igreja. Esta não
pode pretender manter suas crenças em lugar seguro contra todo
desafio. Assim procedendo, logo elas se tornam relíquias. Os
ensinamentos da Igreja precisam estar empenhados e ligados com os
temas do dia-a-dia, a fim de que permaneçam como fé
viva. De outro modo, não serão nada mais que dogmas
mortos.
Congressos - Dois Congressos Internacionais de Fé e
Ciência foram realizados: um em Ogden, Utah, no ano 2002, e
em Denver, Colorado, 2004 com vasta representação internacional
de teólogos, cientistas, administradores de igrejas. Além
disso, sete das treze divisões da Igreja realizaram congresso
em nível de divisão ou associação, apresentando
a interação entre a fé e a ciência em palestras
sobre as origens. A Comissão Organizadora manifesta apreciação
aos participantes dessas convenções pela contribuição
para com este relatório. A pauta do Congresso de Ogden foi
designada a atender os participantes com diferentes maneiras pelas
quais a teologia e a ciência oferecem explicações
acerca da origem da Terra e da vida. As pautas para os congressos
em divisões foram definidas por vários organizadores,
embora a inclua diversos tópicos apresentados em Ogden. O congresso
realizado em Denver foi o último da série de três
anos. Sua pauta teve início com sumários acerca dos
assuntos teológicos e científicos. Então, foram
abordadas várias questões quanto à fé
e à ciência na vida da Igreja. Estas questões
abrangem:
. Lugar que o aspecto acadêmico ocupa na Igreja. Como pode a
Igreja manter a natureza confessional de seus ensinos e ao mesmo tempo
estar aberta ao desenvolvimento futuro em sua compreensão da
verdade?
. Modelos educacionais do trato para com assuntos controvertidos e
temas éticos que envolvem professores e líderes de igrejas.
Como podemos ministrar cursos científicos em nossas escolas
de tal maneira que enriqueçam a fé em vez de causar
erosão nela?
. Que considerações éticas ficam evidentes quando
uma convicção particular difere do ensino denominacional?
De que modo a liberdade pessoal de crença interfere na função
pública como de um líder da igreja? Em outras palavras,
quais são os princípios de responsabilidade pessoal
e da ética da divergência?
. Quais são as responsabilidades e processos administrativos
no trato com a diversidade ou reformulação de um parecer
doutrinário?
Palestras acadêmicas foram apresentadas e discutidas por cientistas
e educadores (o Instituto de Pesquisas e Geociência mantém
um arquivo de todas as palestras apresentadas nos congressos). Os
de Ogden e Denver envolveram pelo menos algumas representações
de cada divisão do campo mundial. Mais de 200 pessoas participaram
desses congressos durante o período de três anos. Mais
de 130 participaram das reuniões em Denver; a maioria dessas
havia assistido a pelo menos um dos congressos de Fé e Ciência.
Observações gerais - 1. Louvamos a seriedade
e a dignidade que caracterizaram as convenções.
2. Notamos que prevaleceu um profundo senso de dedicação
e lealdade para com a igreja.
3. Comprovamos que, mesmo em meio à aparente tensão
que notamos em algumas vezes, relacionamentos cordiais foram mantidos
entre os participantes, com a amiz;1de transcendendo as diferenças
de parecer.
4. Testemunhamos nessas conferências um elevado nível
de conhecimento básico, principalmente o papel normativo das
Escrituras, apoiado pelos escritos de Ellen G. White, e pela crença
de todos em Deus como benigno Criador.
5. Não encontramos apoio nem defesa para o naturalismo filosófico,
segundo o qual o Universo veio à existência sem a atuação
de um Criador.
6. Compreendemos que o conflito entre o parecer bíblico e o
contemporâneo é impactante para os cientistas bem como
para os teólogos.
7. Reconhecemos que a atmosfera tensa entre a fé e a compreensão
é um elemento de vida com o qual o crente precisa aprender
a conviver.
, 8. Observamos que rejeitar as interpretações contemporâneas
científicas a respeito das origens em conflito com as asserções
bíblicas não significa depreciação de
nenhuma ciência nem do cientista.
9. Ao mesmo tempo em que encontramos grande confirmação
da compreensão da Igreja acerca da vida na Terra, reconhecemos
que alguns entre nós interpretam o relato bíblico de
tal modo que isso os leva a conclusões profundamente diferentes.
10. Aceitamos que, tanto a teologia como a ciência contribuem
para a nossa compreensão da realidade.
Descobertas - 1. O grau de divergência que existe quanto
à nossa compreensão das origens varia ao redor do mundo.
Nas regiões em que a ciência tem feito seus maiores progressos
na sociedade, as questões entre os membros da Igreja são
mais divulgadas. Com o avanço da ciência em todas as
sociedades e sistemas educacionais, haverá um correspondente
aumento de membros tentando conciliar o ensino da Igreja com as teorias
naturais da origem. Grande número de adventistas do sétimo
dia e estudantes freqüentam as escolas públicas onde a
evolução é ensinada e promovida na sala de aula
sem os correspondentes materiais de apoio e argumentos em apoio ao
relato bíblico a respeito das origens.
2. A reafirmação da crença fundamental da Igreja
quanto à Criação éfirmemente apoiada.
A crença adventi5ta do sétimo dia em uma criação
literal e histórica de seis dias é teologicamente consistente
e está em harmonia com o ensino de toda a Bíblia.
3. A Criação é um pilar fundamental no sistema
inteiro da doutrina adventista do sétimo dia. Ela apresenta
um relacionamento direto com muitas, senão com todas as demais
crenças fundamentais. Qualquer interpretação
alternativa da história da Criação precisa ser
examinada à luz de seu impacto sobre as outras crenças.
Muitas das palestras sobre Fé e Ciência reconsideraram
interpretações alternativas do primeiro capítulo
de Gênesis, incluindo a idéia da evolução
teística. Essas outras interpretações são
falhas quanto à coerência teológica de toda a
Escritura e revelam áreas de inconsistência com o restante
da doutrina adventista do sétimo dia. Portanto, são
inaceitáveis substitutos para a doutrina bíblica da
Criaçãomantida pela Igreja.
4. Inquietações têm sido manifestadas quanto ao
que alguns vêem como ambigüidade na sentença "seis
dias" encontrada na declaração da Igreja na crença
da Criação. Pretendese que não seja mencionado
o significado implícito de que os seis dias da Criação
descritos no Gênesis foram realizados numa semana literal e
histórica. Esta condição dá margem à
incerteza a respeito do que a Igreja crêrealmente. Além
disso, ela abre espaço para que outras explanações
sobre a Criação se harmonizem com o texto. Existe o
desejo de que a voz da Igreja seja ouvida em trazer esclarecimento
adicional ao que em verdade expressa a Crença Fundamental nº
6.
5. Embora alguns dados científicos possam ser interpretados
de maneira coerente com o conceito bíblico de Criação,
também reconsideramos os dados interpretados de maneira a desafiar
a crença da Igreja em uma criação recente. A
força dessas interpretações não pode ser
subestimada. Respeitamos as reivindicações da ciência,
nós as estudamos e esperamos uma resolução. Isto
não elimina um re-exame das Escrituras a fim de nos certificarmos
de que esteja sendo interpretada adequadamente. Contudo, quando não
é possível uma interpretação em harmonia
com as descobertas científicas, não admitimos para a
ciência uma posição privilegiada, na qual ela
determine automaticamente a conclusão. Entretanto, reconhecemos
que não é justificável manter os claros ensinos
das Escrituras em submissão às atuais interpretações
científicas dos dados.
6. Reconhecemos que, entre nós, existem diferentes interpretações
teológicas quanto aos capítulos 1-11 de Gênesis.
Diante das várias interpretações, percebemos
um elevado grau de considerações daqueles que estão
envolvidos no ministério adventista de ensino a fim de cumprir
sua missão com ética e com integridade - conforme os
padrões de sua profissão, ensinos das Escrituras e a
compreensão básica mantida pelo corpo de crentes. Desde
que os adventistas do sétimo dia reconheçam que sua
compreensão da verdade é uma experiência crescente,
existe uma necessidade sempre presente de continuar o estudo das Escrituras,
da Teologia e da Ciência, a fim de que as verdades que sustentamos
constituam uma fé viva, capaz de abordar as teorias e filosofias
atuais.
7. Aceitamos e endossamos o valor significativo de se promover diálogo
interestadual e interdisciplinar entre os teólogos, cientistas,
educadores e administradores adventistas.
Declarações - Como resultado dos dois congressos
internacionais e sete conferências em nível de associação,
a Comissão Organizadora relata:
1. Declaramos a supremacia das Escrituras na compreensão adventista
do sétimo dia acerca das origens.
2. Declaramos a compreensão histórica adventista do
sétimo dia sobre o primeiro capítulo de Gênesis
segundo a qual a vida na Terra foi criada em seis dias literais e
é de origem recente.
3. Confirmamos a declaração bíblica a respeito
da queda que trouxe a morte e o mal.
4. Confirmamos a asserção bíblica de um dilúvio
catastrófico, um ato do juízo de Deus que afetou todo
o planeta, como chave importante para a compreensão da história
da Terra.
5. Declaramos que nossa compreensão limitada a respeito das
origens requer humildade e que pesquisas posteriores acerca dessas
questões nos conduzam a mistérios profundos e maravilhosos.
6. Confirmamos a natureza homogênea da doutrina da Criação
com as demais doutrinas adventistas do sétimo dia.
7. Declaramos que a natureza é uma testemunha do Criador, a
despeito de seu estado de degradação.
8. Aprovamos os cientistas adventistas do sétimo dia em seu
empenho por compreender a obra das mãos do Criador por meio
de metodologias de suas disciplinas.
9. Aprovamos os teólogos adventistas do sétimo dia em
seus esforços por desvendar e ordenar o conteúdo da
revelação.
10.Aprovamos os educadores adventistas em seu ministério de
vital importância para com as crianças e jovens da Igreja.
11. Declaramos que a missão da Igreja Adventista do Sétimo
Dia, identificada em Apocalipse 14:6 e 7, inclui um convite à
adoração a Deus como o Criador de tudo.
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Recomendações
- A Comissão Organizadora de Congressos Internacionais de Fé
e Ciência recomenda que:
1. A fim de referir-se ao que alguns interpretam como falta de clareza
na Crença Fundamental nQ 6, a compreensão histórica
adventista a respeito da narração do Gênesis seja
afirmada mais explicitamente.
2. Os líderes da Igreja, em todos os níveis, sejam incentivados
a fazer levantamento e a monitorar a efetividade com que os sistemas
e programas denominacionais atuam no preparo de jovens, incluindo os
que freqüentam escolas não adventistas, na compreensão
bíblica das origens e em alerta contra os desafios que podem
enfrentar quanto a essa compreensão.
3. Sejam promovidas cada vez mais oportunidades para diálogo
e pesquisa interdisciplinares, em ambiente seguro, entre os alunos das
escolas adventistas de todo o mundo.
Conclusão - A Bíblia tem início com a
história da Criação e encerra com a história
da re-criação. Tudo o que foi perdido com a queda de
nossos primeiros pais é restaurado. Aquele que, no princípio,
fez todas as coisas por meio da palavra de Sua boca, conduz a longa
luta com o pecado, o mal e a morte para uma conclusão triunfante
e gloriosa. Ele é quem habitou entre nós e morreu em
nosso lugar no Calvário. Assim como os anjos do Céu
cantaram de alegria na primeira Criação, assim também
os redimidos da Terra proclamarão: "Tu és digno,
Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder,
porque todas as coisas Tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram
a existir e foram criadas. ... Digno é o Cordeiro que foi morto"
(Apoc. 4:11; 5:12).
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