| Controversia |
Para jornalista Eliane Brum Parafraseando trecho do texto, o mais curioso é que ela é jornalista! De qualquer forma, tenho certeza de que pessoas inteligentes (como você me pareceu, por telefone) e isentas de posições preconcebidas (o que finalmente, ao ler sua reportagem, percebi não ser o seu caso), poderão ser incentivadas a cavar mais fundo para buscar compreender melhor o que realmente existe no âmbito da controvérsia Criação / Evolução. Concordo com o Prof. Enézio Almeida Filho Os leitores da Época ficaram sem saber da crise epistêmica que vem sofrendo o paradigma vigente. Da próxima vez, farei como o Prof. Christiano da Silva Neto da ABPC tudo por escrito! "Verba volant, scripta manent!" Ruy Carlos de Camargo Vieira Aluizio Falcão Filho Preconceito da revista Época Quando fui contatado pela jornalista Eliane Brum e forneci algumas informações a respeito do criacionismo e de meus livros, conhecendo um pouco de seu trabalho e postura jornalística, sinceramente pensei que desta vez alguém publicaria uma matéria isenta de preconceitos e que realmente contribuiria para esclarecer os principais pontos de vista dos modelos evolucionista e criacionista. Mas confesso que, com a publicação de sua reportagem na revista Época de 3 de janeiro de 2005, minhas esperanças mais uma vez foram frustradas. Digo mais uma vez porque ela não foi a primeira a expressar tão grande partidarismo e mesmo preconceito ao abordar a controvérsia entre a criação e a evolução. Logo de início o texto menciona o biólogo Richard Dawkins - inimigo declarado dos criacionistas -, e a afirmação de que crer no relato bíblico de Gênesis é "fruto da ignorância". Assim, sem rodeios, já se percebe a tônica da matéria. O texto prossegue trazendo outras inverdades e generalizações. Eliane afirma que "o resultado mais nefasto desse embate entre criação e evolução não é o surgimento de uma nova geração de criacionistas, mas as levas de estudantes que saem da escola sem entender a teoria de Darwin". Embora eu tenha fornecido a ela o telefone e contatos no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), cujo curso de Biologia vai além dos requisitos exigidos pelo MEC, ao ensinar tanto o criacionismo quanto o evolucionismo (mesmo os alunos evolucionistas não reclamam), ela ignorou (deliberadamente?) essa informação. Aliás, há outras generalizações que, creio, deram ao leitor uma impressão equivocada sobre o assunto. Embora a matéria mencione as subdivisões dentro do criacionismo, Eliane sustenta que "os criacionistas afirmam que o homem, o mosquito da malária e o protozoário causador da doença responsável por 2,7 milhões de mortes anuais no mundo são criaturas do plano da criação de Deus". A jornalista também induz o leitor a pensar que os criacionistas crêem que todas as características geológicas que vemos hoje são resultado do Dilúvio bíblico, e não dos processos geológicos descritos pelos cientistas (como o movimento das placas tectônicas). E dispara: "Para a ala mais fundamentalista dos criacionistas, o maremoto que matou milhares na Ásia... não seria causado por movimentos das placas terrestres (pois não acreditam que elas aconteçam), mas um flagelo enviado por Deus." Eu dei a ela o telefone do doutor em Geologia pela USP, Nahor Neves de Souza Jr., autor de um livro que descreve, no contexto criacionista, os fenômenos geológicos globais. Mas ela o consultou? Consultou algum geólogo criacionista ao menos? Não faltou aí o contraponto? Onde estão os "dois lados" da questão? Quando fala do evolucionismo, Eliane dá a entender que seus defensores concordam em tudo e que há consenso nos arraiais evolucionistas. Será assim mesmo? No dia 13 de dezembro de 1998, o caderno "Mais!" da Folha de S. Paulo trouxe na capa o título "Extremos da Evolução". Nos artigos, foram abordadas as divergências entre expoentes evolucionistas como Richard Dawkins e Stephen Jay Gould. Apesar das discordâncias, o comentário de John Maynard Smith, um dos papas da biologia moderna, é conclusivo: "Por causa da excelência de seus ensaios, [Gould] tornou-se conhecido entre não-biólogos como o mais destacado teórico da evolução. Em contraste, os biólogos evolucionistas com quem discuti seu trabalho tendem a vê-lo como um homem cujas idéias são tão confusas que quase não vale a pena ocupar-se delas, mas alguém que não se deve criticar em público por ao menos estar do nosso lado contra os criacionistas" (New York Review of Books, novembro de 1995). Bastante esclarecedoras estas palavras. Quando se refere ao movimento do Design Inteligente, Eliane diz que ele se baseia em "argumentos sofisticados e supostamente baseados na ciência", mas não dá espaço suficiente para a defesa desses argumentos. Fica tudo mais ou menos na opinião. Depois ela ainda arremata, dizendo que "os cientistas não concordam com essa visão". Bem vago isso, não? E Michael Behe - citado por ela - e outros, o que são? Não são cientistas? Aliás, questionamentos levantados por Behe, em seu livro “A Caixa Preta de Darwin”, ainda não foram adequadamente respondidos. Ele escreveu: "Nenhum dos trabalhos publicados no Journal of Molecular Evolution durante todo o curso de sua vida editorial propôs um modelo detalhado através do qual um sistema bioquímico complexo poderia ter sido produzido à maneira darwiniana, passo a passo, gradualmente", e "nunca houve conferência, livro ou artigo sobre detalhes da evolução de sistemas bioquímicos complexos" (“A Caixa Preta de Darwin”, págs. 179 e 183). Behe informa ainda que "numerosos estudantes aprendem em seus livros a ver o mundo através de uma lente evolucionista. Eles, contudo, não aprendem como a evolução darwiniana poderia ter produzido qualquer um dos sistemas bioquímicos notavelmente complicados que tais textos descrevem" (pág. 187). Quando menciona frases do Dr. Ruy Vieira, presidente da Sociedade Criacionista Brasileira, Eliane deixa novamente transparecer preconceito. Ao informar que ele foi diretor-científico da Fapesp e fundador da Academia de Ciências de São Paulo, além de representante do MEC na Agência Espacial Brasileira, ela diz que isso é "curioso", reafirmando a idéia de que quase não há pesquisadores sérios no meio criacionista (embora tenha dito que leu meu livro “Por Que Creio”, no qual apresento entrevistas com uma dúzia deles). Mas acho que o cúmulo da sua argumentação preconceituosa ocorreu ao comparar a proposta de se ensinar criacionismo e evolucionismo nas escolas com o revisionismo a respeito do Holocausto judeu. "Esse argumento capcioso", afirma Eliane, "é o mesmo utilizado pelos revisionistas do Holocausto judeu, que, apesar das fotografias, dos relatos dos sobreviventes, dos documentos, das evidências materiais, da confissão dos algozes e do reconhecimento do Estado alemão, continuam afirmando que o Holocausto foi uma 'armação'". Os criacionistas sérios respeitam e se pautam pelo método científico. Se a teoria da evolução tivesse evidências factuais como o episódio do Holocausto, obviamente que não haveria cientistas que advogariam o modelo criacionista. Não precisa ser criacionista para perceber que a comparação foi meio forte e descabida. Lamento também o fato de a matéria não ter publicado sequer uma entrevista com um criacionista sério, tendo dado espaço, por outro lado, a duas entrevistas com evolucionistas declarados: o astrofísico Marcelo Gleiser e o sociólogo Maurício Martins. Acho que o jornalismo científico foge às suas propostas (elogiáveis) de esclarecimento quando divulga artigos carregados de preconceito e premissas questionáveis, formando opiniões unilaterais. De minha parte, continuarei aguardando o dia em que uma revista da importância da Época possa abrir espaço para a publicação de reportagens, entrevistas e artigos criacionistas sérios, escritos por bons autores e pesquisadores criacionistas, e não apenas a interpretação do que seja criacionismo, do ponto de vista evolucionista. Talvez, se houvesse um debate mais aberto e respeitoso, ainda que não se chegasse a um consenso, haveria maior clareza com relação ao que ambos os lados pensam e pregam. Se a ciência e a imprensa se detivessem aos fatos, deixando o juízo de valores (ou as conclusões quanto às origens) aos leitores, estariam cumprindo de forma mais efetiva seu papel. Michelson Borges Brasília, 3 de Janeiro de 2005. Para Prezados Senhores, Li com atenção o tema especial: "E no princípio era..." o que mesmo? Certamente é motivo de grande atenção o fato do enorme fracasso do ensino obrigatório, exclusivo do evolucionismo durante o último século no Brasil, apoiado pelas cátedras e coadjuvado pela mídia, ter produzido apenas 11% evolucionistas ateus! A causa principal deste fracasso é que as evidências estão destruindo a frágil idéia da evolução. Vejamos algumas: 1. Nada em biologia faz sentido à luz do acaso cego. 2. A abiogênese é uma crendice popular aceita e defendida
pela evolução! 3. Os "incontáveis" elos de Darwin não foram
encontrados. 4. Os fósseis contestam a evolução. 5. A ancestralidade comum está em cheque. 6. A seleção natural fracassou. 7. O coordenador do Projeto Genoma Humano é criacionista. Sugerimos uma entrevista com o Dr. Francis Collins. Lembramos ainda que Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johanes Kepler, Francis Bacon, Isaac Newton, Carlos Linneu, Gregório Mendel, Louis Pasteur; todos eles foram criacionistas. Os modernos criacionistas estão nos ombros de gigantes da ciência. Merecem o mesmo nível de atenção, respeito, e exposição na mídia e na cátedra. O resultado da pesquisa do IBOPE mostra o óbvio: 89% dos leitores da Revista Época, os pais dos alunos e os estudantes não agüentam mais este ensino evolucionista unilateral! Acordem! Está na hora de despertar, comparar e discutir o criacionismo com o evolucionismo, na base das evidências científicas dentro das salas de aulas, desde o ensino fundamental até a pós-graduação. Daqui a pouco o evolucionismo, o maior mito científico pode estar banido, como querem 75% dos brasileiros. Apenas como contribuição, mandamos um pequeno artigo e
dois livros: "A Origem Superior das Espécies" e "Genoma,
Passado, Presente e Futuro". Roberto César de Azevedo O artigo "E no princípio era o que mesmo?" apresentou-se muito ideológico e pouco analítico. Como exemplo gostaria observar que a frase "os cientistas não concordam com essa visão e alegam que o salto na realidade é bastante simples" que aparece na página 77, não esclarece como os cientistas explicam o simples salto das substâncias "inorgânicas" para uma célula viva completa, com todo seu maquinário autônomo e com todo seu conteúdo de informação necessário para seu funcionamento e reprodução. Não imagino como artigos deste tipo podem ajudar as pessoas a pensarem sobre o mundo e se tornarem capazes de formar sua visão de mundo como idealiza Marcelo Gleiser em sua entrevista. Urias Echterhoff Takatohi
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