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A Dra. Márcia nasceu no dia 23 de maio de 1960, em São Paulo. Porém, morou
a maior parte de sua vida em Minas Gerais, principalmente em Juiz de Fora
e Belo Horizonte. Só voltou para São Paulo em 1991, para fazer o doutorado.
No intervalo de uma de suas aulas, concedeu esta entrevista a Michelson
Borges, em 1999:
RA: O caderno "Mais!" do
jornal Folha de São Paulo (31/12/98), apresentou artigos sobre o evolucionismo,
dizendo que essa teoria é um dos principais debates deste fim de século.
Por que, depois de quase 140 anos de formulação da teoria de Darwin, os
evolucionistas ainda não chegaram a um consenso?
Dra. Márcia: Nenhuma das teorias atuais
explica todos os pontos da evolução. Embora muitos experimentos tenham
sido feitos e muita coisa tenha sido discutida, não se tem uma teoria
para explicar a origem da vida, de maneira clara. Temos que lembrar, também,
que a Ciência não é algo estático. Ela está sempre mudando. À medida que
se conhece mais, novas opiniões surgem. Além disso, grande parte dos cientistas
considera a evolução um fato. Eles acreditam que são as teorias que mudam
para explicar a evolução. E nós, criacionistas, contestamos isso porque
evidências não são provas. E a evolução só dispõe de evidências.
RA: A idéia de um Criador não pode
ser provada por experiências em laboratório. Mesmo assim, podemos considerar
o criacionismo "científico"?
Dra. Márcia: A ciência atual não aceita
a presença do sobrenatural e tenta explicar tudo pelos mecanismos naturais.
Os cientistas procuram explicar o comportamento do universo físico, em
termos de causas puramente físicas e materiais, sem invocar o sobrenatural.
Mas por que não podemos invocar o sobrenatural? Alguns cientistas têm
medo de que, se o sobrenatural for invocado, pare de se fazer ciência,
atribuindo-se ao sobrenatural tudo o que a ciência não puder explicar.
Só que invocar o sobrenatural para explicar, por exemplo, a origem da
vida que é algo que ninguém conseguiu explicar não parece
ser uma coisa tão ilógica.
RA: O criacionismo também tem evidências
daquilo que defende?
Dra. Márcia: Temos muitas evidências do
planejamento do Universo e da vida. Mas isso não prova a existência
de Deus. Até que ponto se pode provar que Deus existe? Eu acredito que
Deus não quer ser provado. As pessoas devem acreditar nEle pela
fé. Os evolucionistas têm evidências que apóiam sua teoria, mas nós também
temos evidências que apóiam o criacionismo.
RA: No campo das evidências nenhuma
teoria leva vantagem sobre a outra?
Dra. Márcia: Alguns criacionistas mal-informados
acham que não existe nenhuma base para se acreditar na evolução, mas essas
pessoas realmente não conhecem a ciência. É lógico que a teoria da evolução
faz algum sentido, porque, se ela fosse totalmente absurda, não haveria
milhares de cientistas e uma boa parte da população que a aceitaria. O
evolucionimo tem alguma lógica, mas também tem muitas incoerências.
RA: Quais são as maiores incoerências
do evolucionismo?
Dra. Márcia: Não dá para explicar a origem
dos sistemas vivos pela evolução. Isso não era um problema para os evolucionistas
do século passado, como Darwin, que acreditavam que as células eram organismos
muitos simples. Mas, hoje em dia, cada vez mais os estudos de biologia
molecular e bioquímica estão mostrando que a célula e os sistemas celulares
são altamente complexos e o surgimento desses sistemas não pode ser explicado
através de etapas sucessivas. É o problema da "complexidade irredutível".
Muitos sistemas biológicos são considerados irredutivelmente complexos,
ou seja, eles dependem de várias partes que têm que interagir. E essas
partes não poderiam ter surgido gradualmente simplesmente porque, se tirarmos
uma delas, o todo não funciona mais.
Tomemos o exemplo da coagulação do sangue. A Hemofilia A é uma doença
que impede a coagulação, devido à falta de uma substância chamada Fator
VIII da Coagulação. Portanto, se faltar somente esta substância na circulação
sangüínea, e a pessoa não se tratar, ela irá morrer. Então, como a coagulação,
que é um processo em cascata, onde um componente ativa o outro, poderia
ter se desenvolvido a partir do nada, se quando falta uma única proteína,
ele não funciona? Outro exemplo de complexidade irredutível é o sistema
imunológico. É algo tão intrincado que não se pode explicar seu surgimento
de forma gradual.
Esses sistemas biológicos irredutivelmente complexos indicam planejamento.
Só que a ciência, ao invés de estar comemorando a existência do Planejador,
se calou diante dessas evidências. Por quê? Porque admitir Deus exige
compromisso com Ele. E as pessoas querem fugir de um compromisso com o
Criador. Se, pelo contrário, surgimos pela evolução, somos livres para
fazer o que quisermos, sem dar satisfação a ninguém.
RA: O que a coluna geológica diz
ao criacionista?
Dra. Márcia: Há pelo menos dois problemas
relacionados com esse assunto e que apóiam o criacionismo. No princípio
do período Cambriano você tem praticamente todos os filos representados.
Se todos os organismos aparecem no começo do Cambriano, de onde eles evoluíram?
Onde estão os ancestrais deles? Alguns dizem: Ah, no Pré-Cambriano".
Mas olhando para o Pré-Cambriano, não encontramos absolutamente nada,
a não ser bactérias e algas azuis. E todo mundo sabe que, para uma bactéria
dar origem a um trilobita, seria um salto absurdo, porque os trilobitas
são seres altamente complexos. De onde evoluíram então? Alguns poderiam
dizer: "Evoluíram de animais mais simples". Mas por que nenhum
deles se fossilizou? Esse é o "grande salto" que a evolução
não explica.
A falta de elos intermediários no registro paleontológico é outro grande
problema para a evolução. Se o darwinismo é verdadeiro, onde estão os
fósseis intermediários entre os grupos de organismos? Deveria haver, na
coluna geológica, milhares de fósseis de organismos em transição, com
características intermediárias, entre dois grupos, mas estes nunca foram
encontrados.
RA: A biologia molecular e a bioquímica
têm sido uma "pedra no sapato" dos evolucionistas. Por que?
Dra. Márcia: A biologia molecular
e a bioquímica estão mostrando cada vez mais a complexidade da célula.
Antigamente, os cientistas consideravam os protozoários (organismos unicelulares)
muito simples, achando que eles poderiam ter surgido do nada. Isso era
conhecido como “geração espontânea”. E
era fácil acreditar na geração espontânea, pois se considerava que a célula
era simples como um pedacinho de gelatina. Mas quando se começou a estudar
as células em microscópios mais potentes, verificou-se que uma simples
célula de um protozoário, por exemplo, é altamente complexa. Não dá para
explicar a origem desses sistemas como vindo do nada. A teoria da evolução
não consegue explicar nem a origem de proteínas. Até hoje, o máximo que
se conseguiu produzir em laboratório, utilizando as supostas condições
da "terra primitiva", foram alguns aminoácidos e proteinóides,
que não são proteínas. E mesmo que se conseguisse produzir uma molécula
de proteína ou de DNA funcionais, isso ainda não seria vida. Precisaríamos
colocar todas essas moléculas em uma célula viva, que tivesse uma membrana,
e que conseguisse se reproduzir.
As proteínas nas células são produzidas pelo DNA. E o DNA, para se duplicar,
precisa de muitas proteínas e de enzimas. Aí vem aquela história do ovo
e da galinha: "Quem surgiu primeiro: o DNA ou a proteína?" Os
evolucionistas arranjaram a história de um RNA autocatalítico, ou seja,
um RNA que pode se autoproduzir. Só que, na verdade, mesmo que isso tenha
existido no passado, hoje em dia os sistemas biológicos não funcionam
com esse RNA, e sim com DNAs. As proteínas são produzidas numa organela
da célula chamada ribossomo, que, por sua vez, é formado por dezenas de
proteínas diferentes e mais alguns tipos de RNA (que também são produzidos
a partir do DNA). Então, para fabricarmos a "máquina" de produzir
proteínas, teremos que ter muitas proteínas. Mesmo que elas tivessem surgido
por acaso, no começo, como poderiam ter sido produzidas depois?
RA: No livro "Viagem ao Sobrenatural",
recentemente publicado pela Casa, o autor Roger Morneau diz (nas págs.
54 e 55) que a teoria da evolução é uma arma eficaz nas mãos do inimigo.
Por que?
Dra. Márcia: Porque desvia o pensamento
de Deus como Criador. Para os que crêem em Deus e, ao mesmo tempo, aceitam
a evolução (evolucionistas teístas), o Senhor não criou o homem de maneira
pessoal e não criou a Terra para ser habitada. Para eles, Deus teria dado
início à vida através da evolução. Só que isso elimina a credibilidade
das Escrituras porque, se passarmos a considerar o livro de Gênesis como
uma alegoria, também poderemos considerar os demais livros da Bíblia como
não-verdadeiros.
RA: Então é impossível conciliar
a teoria da evolução com a teoria da criação ...
Dra. Márcia: Algumas pessoas até tentam,
mas não dá. Se você se torna um evolucionista teísta, tem que deixar de
crer em grande parte da Bíblia. Você não crê no Gênesis, por conseguinte
você não vai acreditar no plano da salvação. E também vai questionar a
existência de Satanás, porque vai achar que o mal está dentro do ser humano.
E para que a volta de Cristo, se o homem tem a capacidade de melhorar?
Será que as profecias estão se cumprindo mesmo? Não seriam linguagem figurada,
poesia, etc.? Realmente, eu acho muito difícil conciliar as duas coisas.
Os evolucionistas teístas acham que conseguem fazer essa conciliação.
O problema é que muitos deles não conhecem, não aceitam e não lêem a Bíblia.
Na verdade, alguns até aceitam algumas partes que lhes convêm, mas não
aceitam a Palavra de Deus como um todo, porque não dá para fazer isso
e continuar sendo evolucionista.
RA: Você acha, então, que a experiência
da conversão é fundamental para que se aceite a Bíblia e o criacionismo?
Dra. Márcia: Sem dúvida. Duvido que,
algum dia, alguém consiga convencer um evolucionista a se tornar criacionista
sem aceitar a Deus primeiro. Eu acredito que um evolucionista se torna
criacionista quando passa pela experiência da conversão, quando encontra
e aceita a Deus. Aí, sim, ele vai tentar explicar a origem das coisas
de uma outra maneira, porque saberá que Deus é o Criador.
É lógico que, se fizermos palestras apresentando as incoerências da teoria
da evolução, poderemos até despertar na pessoa algumas interrogações que
abrirão caminho para a busca de Deus.
Entrevista publicada em junho de
1999 na revista
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