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Em 1970, assumiu a chefia do departamento de Hidráulica e Saneamento
naquela universidade, fundando a pós-graduação que
é considerada a melhor na área no Brasil. Foi convidado,
em 1972, a integrar a Comissão de Especialistas do Ensino de Engenharia
do Ministério da Educação e Cultura, responsável
pelo acompanhamento e avaliação das escolas de engenharia,
currículos, formação de professores, reconhecimento
de cursos, etc.
Segundo o Dr. Ruy Vieira, após a aposentadoria
(em 1986) é que ele começou a trabalhar "de verdade".
Atualmente (2003) representa o MEC no Conselho da Agência Especial
Brasileira, participando de suas reuniões periódicas e empreendendo
viagens por locais onde se desenvolvem atividades espaciais.
De três em três meses participa, também,
de reuniões na Sociedade Bíblica do Brasil, da qual é
um dos diretores já há mais de 15 anos.
Além dessas ocupações, durante meio
período, o Dr. Ruy atua como consultor do PNUD (Plano das Nações
Unidas para o Desenvolvimento) junto a Secretaria de Educação
Tecnológica do MEC. No outro meio período, dedica-se a traduções
de livros e edita a Revista Criacionista, publicação da
Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), da qual é presidente.
Nesta entrevista, concedida a Michelson Borges em 2003,
fala de sua conversão ao criacionismo e da fundação
da SCB.
Revista Adventista: Por que o senhor escolheu ser criacionista?
Dr. Ruy Vieira: Entendo que tornar-se
criacionista ê uma conseqüência lógica de tornar-se
cristão. Ser cristão é aceitar a Cristo como Salvador
e, portanto, aceitar a revelação exposta na Bíblia,
especialmente no que diz respeito ao relato da criação de
um mundo perfeito, da provação e da queda subseqüentes,
com todas as suas conseqüências deletérias.
Não tive educação religiosa no
lar, e dada a minha educação escolar até o nível
universitário ter sido centrada pelos parâmetros agnósticos,
e mesmo ateístas, vigentes em nosso país, não tive
educação religiosa também nos bancos escolares. Dessa
forma, só vim a conhecer o cristianismo como experiência
pessoal, pela providência de Deus, já no fim de meu curso
de Engenharia. Evidentemente então ocorreram conflitos em minha
mente entre o conhecimento adquirido até então e a nova
perspectiva que se abria diante de mim, de um mundo criado, mantido e
dirigido por um Deus que manifestava propósito, desígnio,
e planejamento em todas as Suas obras.
Dou graças a Deus por ter conseguido superar
todas as barreiras que se interpuseram no caminho de minha conversão.
Hoje posso associar de forma bastante coerente a imagem de um mundo perfeito
criado por Deus, e a degradação decorrente da entrada do
pecado neste planeta, com princípios básicos da ciência
que aprendi na minha carreira de estudante, e que posteriormente integraram
o conteúdo de disciplinas que vim a ministrar como docente universitário,
como por exemplo, a Primeira e a Segunda Leis da Termodinâmica,
envolvendo considerações filosóficas sobre o conceito
de entropia, ordem e desordem, direcionalidade, decaimento e degradação.
Vislumbro, hoje, em todos os campos do conhecimento
humano com os quais tive de me relacionar, a perfeita coerência
da visão criacionista com os fatos e as evidências neles
encontrados.
RA: O que é a Sociedade Criacionista
Brasileira, da qual o senhor é presidente?
Dr. Ruy Vieira: Na minha carreira de docente
universitário, como também no acompanhamento dos estudos
de meus filhos no curso secundário e no preparo para o concurso
vestibular, bem como na observação dos acontecimentos sociais,
políticos, econômicos, científicos e tecnológicos,
pude perceber como as doutrinas evolucionistas foram sendo introduzidas
nos livros-textos e assimiladas e divulgadas gradativamente pelos meios
de comunicação, passando mesmo a pautar o comportamento
social em vários setores da atividade humana.
Pela providência divina, chegaram às minhas mãos (isso
há cerca de trinta anos) noticias sobre a existência de sociedades
criacionistas no exterior, com intensa atividade de divulgação
de literatura a respeito da controvérsia entre o criacionismo e
o evolucionismo. Devido às circunstâncias que mencionei,
interessei-me pela fundação de uma sociedade congênere
no Brasil, já que era extremamente escassa a literatura criacionista
em língua portuguesa, e se fazia sentir bastante a sua falta. Assim,
em 1972, foi fundada a Sociedade Criacionista Brasileira, tendo inicio
a publicação do seu periódico - a Folha Criacionista
- que chegou a mais de 60 edições, ao longo desse período
de três décadas (até este ano de 2003).
A continuidade desse trabalho durante tanto tempo foi um verdadeiro milagre,
devendo-se agradecer a Deus pelo sucesso alcançado em termos de
um enorme número de pessoas interessadas que se beneficiaram, de
uma forma ou de outra – com o trabalho realizado. Agradecimentos
devem também ser estendidos a muitas pessoas que colaboraram de
diferentes formas para tornar realidade esse empreendimento.
RA: Poderia mencionar experiências
de pessoas que foram encaminhadas às Escrituras graças ao
ministério criacionista da SCB?
Dr. Ruy Vieira: Na realidade, pela correspondência
que temos recebido, são muitas as pessoas que se têm manifestado
a respeito de terem tido os olhos abertos para a importância de
seu posicionamento pessoal quanto à controvérsia evolução
x criação, passando a entender que temos mesmo de lutar
espiritualmente e diretamente contra as "hostes espirituais da maldade",
que tentam enredar os incautos nas malhas do agnosticismo e ateísmo.
Ha casos de pessoas que nos haviam escrito em situação de
desespero pela confusão mental - ocasionada pela doutrina evolucionista
tanto no ambiente escolar quanto na vida social, tão influenciada
pelos modernos meios de comunicação - e que conseguiram
se livrar dos paradigmas e estruturas conceituais evolucionistas, passando
a entender de maneira mais profunda o conflito no qual estamos imersos.
Há casos, também, de verdadeiras "reconversões"
ou reavivamentos de pessoas cristãs que passaram a entender a conexão
entre a pregação criacionista moderna e as últimas
mensagens de Deus a um mundo que perece, conforme explicitado especialmente
em Apocalipse 14:6-8.
Nestes trinta anos de atividades de divulgação do criacionismo,
têm sido gratificantes as experiências de pessoas que, graças
à literatura que temos publicado, verdadeiramente se converteram
e se tornaram grande instrumento nas mãos de Deus para a pregação
da mensagem adventista para o tempo presente. E, por tempo presente, entendemos
esta época em que se proclama a mensagem de temer a Deus, dar-Lhe
glória, e adorá-Lo como Criador.

Revista Criacionista (ex-Folha Criacionista):
três décadas defendendo a Criação
RA: A Folha Criacionista
passou a se chamar Revista Criacionista no ano passado. Além disso,
a SCB lançou um novo periódico intitulado "De Olho
nas Origens". Fale um pouco sobre esses lançamentos.
Dr. Ruy Vieira: De fato, a Folha Criacionista
tem apresentado evidentes sinais de evolução (...), e ainda:
macroevolução! Na realidade, cada vez mais a Folha
vem se profissionalizando mediante colaboração efetiva de
voluntários, nas mais diversas áreas de atuação.
Com nova "roupagem", a Revista Criacionista apresenta
projeto gráfico moderno e condizente com o mercado editorial.
Estudando-se a programação das atividades da Sociedade Criacionista
Brasileira, concluiu-se que se deveriam substituir as antigas Folhinhas
Criacionistas (que vinham inseridas como encarte na Folha Criacionista)
por publicações independentes, dirigidas de maneira mais
especifica para estudantes do curso fundamental. Assim, foram lançadas
em fins de outubro de 2002 as duas publicações De 0lho nas
Origens 1 e 2, respectivamente para alunos da primeira a quarta serie,
e da quinta a oitava serie.
Dessa forma o leque de publicações periódicas da
Sociedade Criacionista Brasileira fica assim constituído: Revista
Criacionista - dois números anuais; Ciência das Origens
- três numeros anuais; De 0lho nas Origens 1 e 2 - três
números anuais. Cada publicação tem um determinado
público alvo, e sua periodicidade permitirá contato mais
constante com os leitores interessados nos temas criacionistas, com distintas
focalizações.
RA: O Senhor vê evidência
de planejamento no Universo?
Dr. Ruy Vieira: Sem dúvida. Desde
o microcosmo ate o macrocosmo; em tudo. Considerando a 'Terra, o sistema
solar, a nossa e outras galáxias, vemos uma estrutura coerente
e lógica a tal ponto de podermos estabelecer modelos que indicam
planejamento. O próprio fato de poder existir ciência - que
pressupõe que a determinadas causas vão corresponder determinados
efeitos - já mostra planejamento no Universo.
RA: Como é possível obter
mais informações sobre a SCB?
Dr. Ruy Vieira: Através do nosso
site www.scb.org.br, por e-mail scb@scb.org.br,
pelo telefax (061)3468-3892, ou pela Caixa Postal 08743, CEP 70312-97C
Brasília, DF.
Entrevista publicada em janeiro de 2003 na revista
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