Como ressalta a Lição, Deus instituiu o Sábado no contexto da criação de todas as coisas, incluindo os pais de todos os seres humanos, numa época em que evidentemente a nação hebraica ainda não existia! Ao ser estabelecida a nação hebraica, porém, a Bíblia deixa claro que Deus desejava que ela ensinasse a todas as outras nações a Seu respeito, sem dúvida incluindo o significado da instituição do Sábado. Os dados cronológicos que podemos coletar nos capítulos iniciais do Livro de Gênesis permitem-nos concluir que Adão viveu durante 56 anos contemporaneamente à nona geração de sua descendência, ou seja, com Lameque (neto de Enoque, este o "sétimo depois de Adão", em contagem inclusiva), pai de Noé; que Noé viveu 595 anos contemporaneamente com seu pai Lameque; e que Sem, filho de Noé, viveu contemporaneamente 93 anos com Lameque, seu avô, e 448 com Noé. Esses dados constituem evidências para a aceitação de ter sido transmitida (desde Adão até Noé e Sem portanto desde a Criação até após o Dilúvio) a mensagem de um Deus criador que instituiu o sétimo dia desde o início, para ser um memorial da Criação. Na Folha Criacionista número 54/55 pode ser encontrado um interessante artigo de autoria do Dr. Walbert Linhares, no qual são apresentados dois gráficos ilustrativos do inter-relacionamento das idades dos patriarcas bíblicos, e que permitem visualizar facilmente essa cronologia. Continuando a analisar os dados cronológicos dos patriarcas, podemos concluir também, que, após o Dilúvio e a dispersão dos povos ocorrida a partir do episódio da Torre de Babel, Abraão foi contemporâneo de Noé durante 58 anos, e de Sem 170 anos. Prosseguindo nessa linha, podemos chegar a Heber, bisneto de Sem, ambos tendo vivido contemporaneamente durante 435 anos. Heber, cuja descendência foi designada pelo termo genérico de Hebreus, foi tataravô de Naor, que por sua vez foi avô de Abraão. Abraão, assim também um Hebreu, viveu contemporaneamente com Sem durante 170 anos (e, coincidentemente, também com Heber durante 170 anos). De Abraão em diante entramos já no período histórico, coberto com mais detalhes em particular pelo relato do Pentateuco, de forma que a seu respeito podemos colher a importante declaração de que "Abraão obedeceu à Minha palavra e guardou os Meus mandados, os Meus preceitos, os Meus estatutos e as Minhas leis" (Gênesis 26:5). Fica clara, então, a evidência da transmissão oral do relato da Criação, juntamente com a instituição do Sábado como o seu memorial, com a finalidade de se constituir em um dia especial para lembrar dessa magnífica manifestação do poder, sabedoria e amor de Deus. E no Monte Sinai foi posteriormente reiterado esse mandamento original de Deus, na ocasião da instituição da nação dos descendentes de Israel, quando, retirados da escravidão do Egito, e levados para a "Terra Prometida" a Abraão, Deus mesmo, com Seu próprio dedo escreveu em tábuas de pedra: "Lembra-te do dia de Sábado para o santificar". Seguem algumas transcrições pertinentes à universalidade do Sábado, do livro "O Sábado", de autoria de Guilherme Stein Jr., publicado em primeira edição em 1919 pela Casa Publicadora Brasileira (na época denominada "Sociedade Internacional de Tratados"), e hoje em segunda edição pela Sociedade Criacionista Brasileira: O caráter universal do Sábado, que já ficou amplamente demonstrado, foi afirmado por Cristo nestes termos: "O Sábado foi feito por causa do homem" (S. Marcos 2:27). Isto é, não por causa deste ou daquele homem, nem por causa desta ou daquela raça de homens, e sim por causa do gênero humano. É o que vemos também em parte confirmado pela história, e só por uma lastimável obcecação é que se poderia negar ao Sábado esse caráter e circunscrevê-lo ao povo de Israel ou aos judeus. ...A solene exortação do profeta (Isaías 56:3) em quem fala o próprio Espírito de Cristo, se dirige à geração que está prestes a testemunhar o grandioso acontecimento ... e passa a pormenorizar as condições desse ato preparatório: "Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto: que se guarda de profanar o Sábado, e que guarda a sua mão de perpetrar algum mal". Ao passo que nenhuma referência é feita a nenhum dos demais preceitos da lei que resume a justiça de Deus, o Sábado é feito aqui o objeto de uma consideração especial. Na iminência da redenção efetiva que se vai operar a favor da humanidade, uma bênção especial fica dependendo da observância escrupulosa do Sábado por parte de todo homem (em Hebraico é usado o termo genérico que designa qualquer homem, sendo também coletivo que compreende toda a humanidade) que se chegar ao Senhor e abraçar o Seu concerto. Mas o Senhor passa a precisar melhor ainda o Seu pensamento a esse respeito, de modo a tirar-nos toda a dúvida quanto a universalidade do Seu propósito. Já não se trata mais de um povo somente, do povo judeu, como se poderia supor talvez, mas também daqueles que, devido aos falsos preconceitos deste, se consideravam afastados desse povo e excluídos das promessas divinas. Entrando a especificar a mensagem, prossegue: "E não fale o filho do estrangeiro, que se houver chegado ao Senhor, dizendo: de todo me apartou o Senhor do Seu povo". ...O estrangeiro (em Hebraico o termo usado significa "qualquer pessoa estranha ao povo de Israel"; em Grego, "pertencente a outra raça") era todo aquele que não fazia parte do povo judeu por afinidade de raça Este, posto que admitido como prosélito (em Grego "adventício"," pessoa estranha", palavra com que se designaram aqueles dos estrangeiros que aderiam ao Judaísmo), não fruía todavia os privilégios dos que pertenciam à comunidade de Israel, não sendo nem mesmo admitido no Templo, tendo por isso de cumprir as suas devoções fora, no pátio ou no átrio da casa de oração. Por Cristo foi derrubada a parede da separação, que consistia em tradições, e de "ambos os povos", os judeus e os gentios, os filhos naturais e os estrangeiros, Deus fez um, acabando assim definitivamente com a queixa justa destes. O apóstolo Paulo esboçou nestas palavras o cumprimento do profeta que vimos de estudar: (é feita a citação de Efésios 2:11-14, e 19-22, que não transcrevemos por exigüidade de espaço). Compreendemos, assim, que a exclusividade arrogada a si pelo povo judeu condicionou, de certa forma, a compreensão do Sábado como algo que constituía somente peculiaridade sua, de modo a chegar até obliterar o verdadeiro significado e a abrangência desse sinal entre Deus e o Seu povo não o povo de Israel exclusiva e excludentemente, mas sim todos os que O buscam com sinceridade e se tornam "Seus adoradores em espírito e em verdade". (Nesse sentido é muito ilustrativo o diálogo mantido por Cristo com a mulher samaritana, relatado em S. João 4:20-24).
Na pergunta número 2 da Lição tem-se a indicação da passagem de Apocalipse 14:6-7, que se refere à pregação da "Primeira Mensagem Angélica", isto é, à proclamação do Evangelho Eterno, inserido no quadro dos acontecimentos finais da história deste mundo. Destaca-se nesta proclamação, iniciada no tempo profético em que "é chegada a hora do juízo de Deus" (ou seja, meados do século passado), a mensagem "Temei a Deus e dai-Lhe glória", e "Adorai Aquele que fez (o Criador) o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas". Ora, associada à adoração de Deus como Criador, está indelevelmente ligada a observância do Sábado, o memorial da Criação, o que nos permite concluir que, neste tempo do fim apontado pela chegada da hora do juízo, a proclamação da mensagem do Evangelho deveria enfatizar, a par da obra redentora de Cristo, também a Sua obra criadora ("Sem Ele, nada do que foi feito se fez" S. João 1:3). Resulta, assim, a peculiaridade profética do Movimento Adventista do Sétimo Dia, que anuncia a brevidade da volta de Cristo, juntamente com o retorno às verdades bíblicas que nos apontam para a Criação de um mundo perfeito, o interregno surgido com a intromissão do pecado, e a breve restauração de todas as coisas, por meio dAquele que Se dispôs a dar a Sua própria vida, mesmo antes da fundação do mundo, como o Cordeiro que veio tirar o pecado do mundo, selando com Seu precioso sangue o Plano da Salvação o Evangelho Eterno objeto da mensagem profética proclamada por esse primeiro anjo de Apocalipse 14:6-7. 3. O descanso do Sábado A respeito da Questão para Debate número 2, inserida na página 48 [Hebreus 4:9 "Resta ainda um descanso sabático literal (sabbatismos) para o povo de Deus"], novamente destacamos alguns trechos encontrados no Capítulo VII do livro "O Sábado" de autoria de Guilherme Stein Jr.: Do que vimos de expor naturalmente se conclui que a observância do Sábado do sétimo dia devia pois continuar também na nova dispensação, sendo ela, como vimos, um ato preparatório essencial à inauguração do novo estado de coisas que o primeiro advento de Cristo a esta terra devia realizar. Essa conclusão é amplamente confirmada por um número de exemplos relatados na própria Bíblia, e bem assim pela prática da generalidade dos cristãos durante os primeiros séculos da era cristã. Uma excelente confirmação da continuação da observância do Sábado na nova dispensação oferece entretanto o capítulo 4 da Epístola aos Hebreus, capítulo, aliás, muitas vezes citado para provar o contrário do que ele tem por fim ensinar, com manifesta incompreensão do seu real objetivo. ... Reporta-se nele o apóstolo ao exemplo de Israel no deserto, que deixou de entrar no repouso de Deus da salvação por Cristo por descrer do evangelho que lhe fora pregado como também o é a nós, e dele tira uma lição importante para os que, como Israel, têm uma oportunidade de, pela fé no evangelho, entrar nesse repouso prometido, advertindo seriamente contra semelhante exemplo de incredulidade. A palavra traduzida "repouso" neste capítulo 4 da Epístola aos Hebreus é, tanto no versículo 3 como nos versículos subseqüentes, com exceção do versículo 9, o grego katapausis (do verbo que significa propriamente a ação de "cessar alguma coisa"), sendo uma evidente alusão à cessação por parte de Deus das Suas obras no sétimo dia, a qual o Sábado do sétimo dia tem por fim comemorar. Esse katapausis de Deus no sétimo dia é, como já o demonstramos, um tipo do repouso de Deus, em que o crente entra pela fé em Cristo, implicando a cessação das obras do pecado ou das obras próprias. É a relação deste repouso com o repouso de Deus no sétimo dia, que o apóstolo estabelece nos versículos seguintes, para daí tirar uma ilação definitiva a respeito da continuação da observância do Sábado na nova dispensação por parte dos cristãos ... O fato de aqueles, a quem primeiro foi evangelizado, não terem entrado nesse repouso, "por causa de sua desobediência", é a prova que estabelece o apóstolo de que "resta que alguns entrem nele" e "que nós, os que temos crido, entramos neste repouso" (Hebreus 4: 6 e 3). A exclusão desse repouso atingiu pois somente aqueles que foram incrédulos e desobedientes (Hebreus 3:18-19). Em que consistiu essa desobediência e essa incredulidade Deus o revela pela boca do profeta: "E dei-lhes os Meus estatutos, e lhes mostrei os Meus juízos, os quais, se os fizer o homem, viverá por eles. E também lhes dei os Meus Sábados para que servissem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu sou o Senhor que os santifica" (Ezequiel 20:12).Notai bem, na obediência a esses mandamentos estava para eles a vida e o repouso em Deus (Isaias 48:18 "Ah! Se tivésseis dado ouvidos aos Meus mandamentos, então seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar"). Como porém não pudessem guardá-los de si mesmos, Deus deu-lhes os Seus Sábados, que lhes deviam continuamente lembrar Aquele que os santifica, e que, remindo-os dos seus pecados, os podia fazer cessar das próprias obras como Deus cessou das Suas no sétimo dia. Eles, porém, não creram e o relatório continua: "Mas a casa de Israel se rebelou contra Mim no deserto, não andando nos Meus estatutos, e rejeitando os Meus juízos, os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles, e profanaram grandemente os Meus Sábados; e Eu disse que derramaria sobre eles o Meu furor no deserto para os consumir. A mesma experiência se repete depois deles com os filhos, e com idêntico resultado (Ezequiel 20:18-22). Estes foram finalmente introduzidos por Josué no repouso material de Canaã, falhando porém, uma grande parte deles de entrar no repouso espiritual em que Deus Se propunha introduzi-los por Cristo. Os quarenta anos da travessia no deserto foram para Israel o dia da salvação, a oportunidade de entrar no repouso de Deus, para o qual o Sábado continuamente os apontava, dando-lhes a conhecer o seu Criador e Redentor, que lhes foi evangelizado como também o é a nós, mas que eles rejeitaram por sua incredulidade, rebelando-se contra Ele. "Visto, pois, que resta que alguns entrem nele", continua o apóstolo, (Deus) "determina outra vez um certo dia" (isto é, uma nova oportunidade de salvação) "a que chama Hoje, dizendo por Davi muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração como na provocação, no dia da tentação no deserto." Esse dia não se limita, como já o fizemos notar, a um período de quarenta anos, como o dia da prova de Israel no deserto, mas compreende, segundo o apóstolo, "cada dia" (Hebreus 3:13) durante o tempo que durar a graça de Cristo e a voz dessa graça for ouvida, convidando ao repouso de Deus, do qual o Sábado foi feito memorial eterno. Ora, se, como daí naturalmente conclui o apóstolo, ainda resta que alguns entrem neste repouso, que continuamente o proclama e para ele aponta, deve continuar a ser observado. É o que o apóstolo concludentemente afirma nestas palavras: "Portanto resta ainda um sabatismo para o povo de Deus" (Hebreus 4:9). Notai, não "um repouso", como erradamente rezam algumas versões, pois que se o intuito do escritor fora exprimir a idéia geral do repouso, como nos versículos anteriores, ter-se-ia servido aqui como ali da palavra katapausis, que corresponde a essa idéia. Ao em vez disto, porém, ele muito conscientemente se serve da palavra sabbatismos, do verbo grego que significa "guardar ou observar o Sábado", devendo pois, em vez de repouso, traduzir-se observância do Sábado, que é a acepção própria e legítima dessa palavra segundo os mais autorizados lexicógrafos, rezando a conclusão do apóstolo como segue: "Portanto, resta ainda uma observância do Sábado para o povo de Deus."
Em 31 de maio de 1998 foi divulgada a Carta Apostólica, dirigida pelo Sumo Pontífice João Paulo II ao episcopado, ao clero e aos fiéis da Igreja Católica, sobre a santificação do domingo. Por ser um documento mencionado na página 48 da Lição, achamos que seria de interesse divulgar partes suas, e tecer algumas considerações a seu respeito, o que fazemos a seguir. (Os destaques sublinhados são acrescidos por nós). O documento inicia-se com uma introdução que, coincidentemente, relaciona esse dia não só com a Criação, como também com a volta de Cristo, da mesma forma que a Lição desta semana faz com o Sábado: "É o dia da evocação adorante e grata do primeiro dia do mundo e, ao mesmo tempo, da prefiguração, vivida na esperança do último dia, quando Cristo vier na glória (Atos 1:11, e I Tessalonicenses 4:13-17) para renovar todas coisas." Continua, com certa nostalgia, lembrando de tempos em que o domingo era "santificado" até mesmo pela sociedade civil nos "países de tradição cristã": "Ninguém desconhece, com efeito, que, num passado relativamente recente, a santificação do domingo era facilitada, nos países de tradição cristã, por uma ampla participação popular e, inclusive, pela organização da sociedade civil, que previa o descanso dominical como ponto indiscutível na legislação relativa às várias atividades laborativas. Hoje, porém, mesmo nos países onde as leis sancionam o caráter festivo deste dia, a evolução das condições sócio-econômicas acabou por modificar profundamente os comportamentos coletivos e, conseqüentemente a fisionomia do domingo. Impôs-se amplamente o costume do fim de semana, entendido como momento semanal de distensão, transcorrido, talvez, longe da morada habitual e caracterizado, com freqüência, pela participação em atividades culturais, políticas e desportivas, cuja realização coincide precisamente com os dias festivos." ... "Aos discípulos de Cristo, contudo, é-lhes pedido que não confundam a celebração do domingo, que deve ser uma verdadeira santificação do dia do Senhor, com o fim de semana entendido fundamentalmente como tempo de mero repouso ou de diversão." O Capítulo Primeiro da Carta trata da celebração da "obra do Criador", ligando-a também à celebração da "nova criação", destacando que "é necessário, portanto, reler a grande página da Criação e aprofundar a teologia do Sábado, para chegar à plena compreensão do domingo." E pode-se entender como seria essa "releitura" quando, a seguir, depois de transcrever o primeiro versículo do primeiro capítulo do livro de Gênesis, segue o comentário: "O estilo poético da narração de Gênesis atesta a admiração sentida pelo homem diante da grandeza da Criação e o sentimento de adoração que daí deriva por Aquele que, do nada criou todas as coisas." Neste contexto, ainda, evoca-se um aspecto "antropomórfico" do trabalho de Deus na obra da Criação, que em seguida é reforçado ao se considerar o "shabbat", o repouso jubiloso do Criador. De maneira gradual, nesse Capítulo, o Sábado passa a ser considerado como sendo o Domingo, "dia por excelência da comunhão do homem com o seu Criador": "A relação do homem com Deus necessita também de momentos explicitamente de oração, nos quais a relação se torna diálogo intenso, envolvendo toda a dimensão da pessoa. O dia do Senhor é, por excelência, o dia desta relação, no qual o homem eleva a Deus o seu canto, tornando-se eco da inteira Criação. Por isso mesmo, é também o dia de repouso: a interrupção do ritmo, muitas vezes oprimente, das ocupações. ... Assim, o Sábado da revelação bíblica foi sugestivamente interpretado como um elemento qualificante naquela espécie de arquitetura sagrada do tempo que caracteriza a revelação bíblica." Finalmente, é assumida explicitamente a mudança do Sábado para o Domingo: "Os cristãos, apercebendo-se da originalidade do tempo novo e definitivo inaugurado por Cristo, assumiram como festivo o primeiro dia depois do Sábado, porque nele se deu a ressurreição do Senhor. De fato, o mistério pascal de Cristo constitui a revelação plena do mistério das origens, o cume da história da salvação e a antecipação do cumprimento escatológico do mundo. Aquilo que Deus realizou na Criação e o que fez por Seu povo no Êxodo, encontrou na morte e ressurreição de Cristo o seu cumprimento, embora este tenha a sua expressão definitiva apenas na parusia, com a vinda gloriosa de Cristo. ... Por isso, a alegria com que Deus, no primeiro Sábado da humanidade, contempla a Criação feita do nada, exprime-se doravante pela alegria com que Cristo apareceu aos Seus, no domingo de Páscoa, trazendo o dom da paz e do Espírito. ... À luz deste mistério, o sentido do preceito vétero-testamentário do dia do Senhor é recuperado, integrado e plenamente revelado na glória que brilha na face de Cristo ressuscitado. Do Sábado passa-se ao primeiro dia depois do Sábado, do sétimo dia passa-se ao primeiro dia: o dies Domini torna-se o dies Christi! A Carta continua com numerosas outras considerações apresentadas de maneira semelhante, destacadas com títulos específicos no texto, como por exemplo no Segundo Capítulo:
Neste último tópico destaca-se o trecho transcrito a seguir: "Um autor oriental, do início do século III, conta que em toda a região os crentes, já então, santificavam regularmente o domingo. A prática espontânea tornou-se depois, norma sancionada juridicamente: o dia do Senhor ritmou a história milenária da Igreja. Como se poderia pensar que ele deixe de marcar o seu futuro?" No Capítulo Terceiro, a Carta aborda tópicos relacionados com a "Assembléia eucarística, a alma do domingo", que deixamos de considerar aqui:
No Capítulo quarto, é abordado o tema "O domingo: dia de alegria, repouso e solidariedade", em vários tópicos específicos, dos quais destacamos o intitulado "O dia do descanso": Durante alguns séculos, os cristãos viveram o domingo apenas como dia de culto, sem poderem juntar-lhe também o significado específico de descanso sabático. Só no século IV é que a lei civil do Império Romano reconheceu o ritmo semanal, fazendo com que, no dia do Sol, os juízes, os habitantes das cidades e as corporações dos diversos ofícios parassem de trabalhar ... Por isso, seria um erro ver a legislação que defende o ritmo semanal como uma mera circunstância histórica, sem valor para a Igreja ou que esta poderia abandonar. ... Para os cristãos, é anormal que o domingo, dia de festa e de alegria, não seja também dia de descanso, tornando-se para eles difícil santificar o domingo, já que não dispõem de tempo livre suficiente. Por outro lado, a ligação entre o dia do Senhor e o dia de descanso na sociedade civil tem uma importância e um significado que ultrapassam o horizonte propriamente cristão. De fato, a alternância de trabalho e descanso, inscrita na natureza humana, foi querida pelo próprio Deus, como se deduz da perícopa da criação no livro do Gênesis (cf. 2:2-3, Êxodo 20:8-11): o repouso é coisa sagrada, constituindo a condição necessária para o homem se subtrair ao ciclo, por vezes excessivamente absorvente, dos afazeres terrenos e retomar a consciência de que tudo é obra de Deus. ... Por isso é natural que os cristãos se esforcem para que, também nas circunstâncias específicas do nosso tempo, a legislação civil tenha em conta o seu dever de santificar o domingo." O Capítulo V, intitulado "Dies Dierum", bastante breve, trata do domingo como festa primordial, reveladora do sentido do tempo, considerando Cristo como o Alfa e o Ômega do tempo. Segue então uma também breve conclusão, encerrando a Carta que contém 21 páginas, além do Índice e das referências bibliográficas. Cremos não ser necessário maiores comentários a respeito dos tópicos apresentados acima, que sem dúvida também se relacionam com o tema geral da Lição desta semana "O Sábado e a Segunda Vinda". Apenas recomendamos a leitura de "O Sábado", de Guilherme Stein Jr., procurando comparar atentamente o conteúdo dos capítulos desse livro com a estrutura e as entrelinhas desta Carta Apostólica.
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