Estudo 12 - Índice Comentários - Comentários Prof. Roberto Azevedo
O SÁBADO E A REDENÇÃO NA CRIAÇÃO |
1 Instituição do Sábado
A instituição do sétimo dia como dia-limite e de descanso obedeceu por parte de Deus a três atos característicos e distintos. Não bastou para isto um único ato. Cumpria que essa instituição, atento o papel importante que lhe estava reservado, revestisse um caráter e uma forma perfeitamente definidos que não a deixassem à mercê das especulações humanas, de possíveis equívocos, ou de sofismas, nem dessem lugar à menor dúvida no espírito do sincero investigador da verdade. Não podia, por isso, o relatório que dela nos foi transmitido, ser menos explícito e categórico:
Assim, os céus e a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no sétimo dia toda a Sua obra que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a Sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou, porque nele descansou de toda a Sua obra, que Deus criara e fizera.
... Prevalece entre muitos a idéia de que o principal benefício que Deus destinou ao homem na instituição do Sábado é o descanso físico. Tem-se tentado, mesmo, demonstrar que o homem acusa a necessidade natural de um descanso periódico circasseptadiário, e que o que melhor lhe corresponde é o descanso semanal que Deus estabeleceu, de sete em sete dias.
Não há negar que uma das necessidades mais imperiosas que para o homem se originaram com o pecado é o descanso material, necessidade que, aliás, não existiu ao ser instituído o Sábado. Não é, todavia, de supor que Deus não houvesse previsto e suprido generosamente também essa necessidade. Querer descobrir, porém, tal providência na instituição do Sábado seria desconhecer por completo a natureza e o caráter dessa instituição.
Santificar é separar do uso comum para um fim religioso; diferenciar do comum o que é sagrado. O primeiro foi o que Deus fez em relação ao sétimo dia; o segundo, o que ao homem cumpre fazer. ... Aquilo que, unicamente, poderia corresponder à idéia do descanso material, como um dos principais benefícios compreendidos na instituição do Sábado, isto é, a abstenção do trabalho secular, não é aqui senão o meio inculcado para a santificação ou diferenciação desse dia dos demais dias da semana, e não o fim ou o motivo por que esse dia deve ser santificado. Assim sendo, é claro que o descanso físico não é absolutamente um fim visado pela instituição do Sábado. ... O grande e importante fim do Sábado é recordar a obra da criação e conservar viva no homem a memória do seu Criador, que em seis dias fez os céus e a terra, e o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia repousou, abençoando e santificando, por isso, o dia sétimo, o dia de Seu descanso. ... Releva notar que o repouso que a nós compete observar no sétimo dia não é o nosso repouso individual, e sim o repouso de Deus [Êxodo 20:10 Mas o sétimo dia é o Sábado (repouso) do Senhor teu Deus]. O repouso de Deus ao sétimo dia não obedeceu a nenhuma necessidade física, mas consistiu, como também se evidencia de Êxodo 31:17, uma recriação espiritual que devia servir de base a uma instituição destinada a satisfazer no homem uma necessidade igualmente espiritual. A idéia de observar o repouso de Deus com o fim de satisfazer uma necessidade material, qual seja, a de um descanso periódico corporal que, em condições normais não deve existir e só pode ser o resultado da transgressão de leis naturais, é a idéia mais grosseira que fazer-se pode de tão sublime quanto beneficente instituição.
2 O sinal do Deus vivo
O sinal ou a característica pela qual Deus é distinguido dos deuses imaginários ou falsos está expresso bem claramente nas palavras do profeta: Os deuses que não criaram os céus e a terra perecerão da terra e debaixo deste céu. Ele é Aquele que fez a terra com o Seu poder, que estabeleceu o mundo com a Sua sabedoria, e com a Sua inteligência estendeu os céus (Jeremias 10:11-12).
É assim que os escritores sagrados, sempre que se trata de identificar ou individualizar a pessoa do Deus vivo, invariavelmente se referem ao fato de ser Ele o Criador dos céus e da terra, servindo-se de expressões tais como: O Senhor que fez o céu e a terra, O Senhor que estendeu os céus e fundou a terra, Deus vivo, que fez o céu e a terra e tudo quanto neles há, etc.
Sendo o Sábado aquela instituição de Deus que tem por fim, conforme reza o preceito, lembrar o fato de que Deus em seis dias fez os céus e a terra, e o mar e tudo que neles há portanto recordar justamente aquele fato que caracteriza o Deus verdadeiro e tendo Deus reputado indispensável tal instituição para o benefício do homem, para que ele não se esquecesse do seu Criador, e guardasse o conhecimento dAquele a quem tudo deve, adorando e servindo somente a Ele, é intuitivo que o Sábado constitui, num sentido especial, o sinal de reconhecimento do Deus vivo, o meio de ser Ele constantemente lembrado e reconhecido da parte do homem.
Que isto é assim, e que tal conclusão não assenta em simples conjectura, vemos das próprias palavras de Deus dirigidas ao Seu povo: Santificai os Meus Sábados, e servirão de sinal entre Mim e entre vós, para que saibais que Eu sou o Senhor vosso Deus (Ezequiel 20:20).
O Sábado é o sinal que Deus estabeleceu em reconhecimento dEle, por parte de Seu povo, como o seu único Deus legítimo. Mas não só isto. A frase entre Mim e entre vós revela que ele constitui um sinal recíproco não só um sinal de Deus para Seu povo em reconhecimento dEle como seu Senhor, como também um sinal do povo para com o seu Deus em testemunho público de que só reconhece e adora Aquele que fez os céus e a terra, e o mar, e tudo o que neles há, testemunho que, em sua expressão mais simples, se reduz a observar o dia que Deus instituiu em memória de Suas maravilhas (Salmo 111:4), as quais, no dizer do apóstolo, apregoam o Seu Ser invisível, testemunhando tanto o Seu eterno poder como a Sua divindade.
3 A continuidade do ciclo semanal - A Carta da Semana
Após pacientes e aturadas investigações, levadas a efeito com muito trabalho e despesas próprias, o notável arqueólogo norte-americano Dr. William Mead Jones organizou um Mapa da Semana, demonstrando a ordem inalterada dos dias e a legítima posição do Sábado, pelo testemunho combinado de línguas antigas e modernas. Esse mapa, concluído em 1886, revela que, em 108 línguas antigas e modernas, o sétimo dia conserva o nome de Sábado (descanso), ou equivalente, ao passo que em 160 línguas é atestada a uniformidade dos dias, e portanto a identidade entre a semana primitiva e a atual.
Conforme as palavras do próprio Dr. William Mead Jones,
O mapa oferece, em suma, uma perspectiva da história lingüística da semana de sete dias, desde a antigüidade mais remota até o tempo atual. Ele demonstra a continuidade ininterrupta de nosso ciclo semanal desde o começo da linguagem falada. Uma meia hora de estudo que se dedique a este trabalho bastará para convencer ao leitor de que é manifesta a mão dirigente de Deus em preservar intacta desde o princípio e até agora, entre as nações, essa simples mas importante divisão do tempo, que simultaneamente é o monumento e a memória de Sua obra criadora.
Com relação à etimologia comparada das palavras Sábado e sete, pode-se verificar no Mapa da Semana a existência de duas designações simultâneas para o sétimo dia da semana, em diversas línguas. A primeira delas tem a ver com o Sábado no sentido de repouso das atividades seculares, e dedicação do tempo a atividades relacionadas com a prestação de culto de adoração a Deus, com espírito de regozijo. A segunda, quase sempre mantendo a mesma raiz, tem a ver com o numeral sete, cardinal ou ordinal, e às vezes relaciona-se também com a denominação do ciclo semanal de sete dias.
4 A Redenção uma nova Criação
Ao empreender a Sua obra de redenção, Cristo devia começar por restabelecer no homem a imagem de Deus. Tal obra implicava a destruição das obras do diabo, que é o autor do pecado. (Quem comete pecado é do diabo ... por isso o Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo I S. João 3:8). Destruído o pecado no homem, Cristo faz dele um novo homem que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade, de sorte que somos feitura Sua, criados em Cristo para as boas obras. Assim que, se alguém está em Cristo, diz o apóstolo, nova criação é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo está feito novo.
A obra da regeneração efetuada pela redenção é, portanto, considerada uma nova criação. Essa, porém, não se há de limitar ao homem somente. Como a terra fosse igualmente atingida pela contaminação do pecado, Deus se propõe estender essa redenção, ou essa nova criação a todas as coisas criadas: Eis que faço novas todas as coisas. A redenção realizada por Cristo abrange toda a criação de Deus.
Na coroa de espinhos que Lhe cingiu a fronte, Cristo levou sobre Si também a maldição que feriu a terra em conseqüência do pecado e que teve sua expressão nos espinhos e abrolhos que esta produz. E a promessa de Deus é esta: Eis que crio céus novos e terra nova, e não haverá mais lembrança das coisas passadas.
A obra da redenção por Cristo é pois representada na Bíblia como uma nova criação, pelo que é perfeitamente lógico, além de muito adequado, que o Sábado, que comemora a criação e o poder nela manifestado, comemore igualmente a redenção, que é a restituição daquela, efetuada pelo mesmo poder criador, e que Deus já se havia proposto em Cristo, por quem e para quem todas as coisas são feitas, desde o lançamento das bases do mundo. Uma e outra são manifestações do mesmo poder, concorrendo para o mesmo propósito, que é efetivar o plano original de Deus com relação a esta terra.
Com a restituição prometida de toda a criação à sua condição e estado primitivo, de acordo com o plano original de Deus, que é propriamente o objeto da obra da redenção, também o Sábado do sétimo dia será universalmente restituído, com o seu caráter, fim e importância que teve desde o princípio no plano divino. A essa restituição final e definitiva do legítimo Sábado de Deus, o profeta Isaias alude claramente nestas palavras referentes à nova terra: Porque como os céus novos e a terra nova que hei de fazer estarão diante de Minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa semente e o vosso nome. E será que de mês em mês, e de Sábado em Sábado, virá toda a carne a adorar perante Mim, diz o Senhor.
5 A falsamente chamada ciência
Embora não seja tão simples conceituar a Ciência em poucas palavras, mesmo porque existem várias abordagens possíveis, e conseqüentemente várias conceituações e definições delas decorrentes, pode-se partir de uma definição representativa, relativamente simples, para tecer considerações a seu respeito, sem exageros nem extremismos. Assim, talvez se pudesse partir da seguinte definição, correspondente a uma das acepções do verbete encontradas no Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda: Conjunto organizado de conhecimentos relativos a determinado objeto, especialmente os (conhecimentos) obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos, e um método próprio.
De fato, o objetivo da ciência, como se concebe modernamente, é o conhecimento organizado da verdade sobre o objeto de seu estudo. Entretanto, nem sempre essa verdade é plenamente atingível, devido às limitações que pesam sobre a observação, a experimentação e o método. A observação direta é limitada pela acuidade de nossos sentidos. Recorre-se, então, à observação mediante o uso de instrumentos, o que também encontra suas limitações, inerentes algumas, outras em função do grau de desenvolvimento tecnológico atingível. A experimentação nem sempre é viável, em face da impossibilidade de reprodução das condições anteriores que se supõem terem envolvido o objeto de estudo. Assim, de maneira particular, é inviável a experimentação com objetos que não podem ser controlados pelo experimentador, tanto em face de sua própria natureza quanto pelas suas dimensões, ou em face dos intervalos de tempo envolvidos. Incluem-se aqui, por exemplo, experimentações com o Sol, a Lua, e os astros em seus movimentos relativos através do espaço, e com os acontecimentos relacionados com as origens do nosso planeta, do Sistema Solar, e do Universo. O método também muitas vezes pode merecer observações ou questionamentos. Indução, dedução, formulação de hipóteses, elaboração de teorias ou modelos, freqüentemente dependem de paradigmas ou estruturas conceituais que são aceitos aprioristicamente para se tentar organizar os conhecimentos pertinentes.
Em face dessas breves considerações preliminares, torna-se claro que se pode incorrer na possibilidade de desenvolver um conjunto organizado de conhecimentos, obtidos até mesmo mediante observação, experimentação e método, que, ao invés de levar ao conhecimento da verdade sobre o objeto em estudo (constituindo ciência na sua verdadeira acepção), chegue a corporificar uma pseudo-ciência.
Embates entre a verdadeira ciência e a pseudo-ciência têm sido travados dentro e fora do âmbito das chamadas ciências naturais. Não cabe aqui nem mesmo tentar fazer um resumo a respeito dos discursos, falatórios, clamores e discussões levados a efeito desde a antigüidade a respeito de objetos, e que posteriormente se demonstraram ser mera falsa ciência. Assim, teorias que hoje são aceitas como científicas, amanhã poderão ser descartadas pela própria comunidade científica, por não poderem explicar novos fatos descobertos, ou por terem feito predições que não foram comprovadas. É este, aliás, o mecanismo de evolução da própria ciência, como alguns filósofos e historiadores da ciência têm destacado em suas obras. Poderia, a propósito, ser citado Thomas Kuhn, que em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, destaca a história das mudanças dos paradigmas científicos, exemplificando casos como os da Teoria do Flogístico, do Calórico, e do Éter, além de outras, no campo da Física e da Química.
Assim, muito embora o Evolucionismo alegue ter embasamento científico, na realidade ele se baseia em conceitos que são admitidos por verdadeiros atos de fé, e que não têm como serem demonstrados, por constituirem um modelo teórico que faz suposições impossíveis de serem comprovadas, por exigirem intervalos de tempo incomensuráveis. Como exemplo de hipóteses incomprováveis, no âmbito da astronomia pode-se citar a origem do Universo, e na biologia a origem de uma primeira célula viva, ou a transformação das espécies no nível da macroevolução.
É claro que também o Criacionismo não tem, e nem alega ter, embasamento científico, embora possa constituir uma estrutura conceitual dentro da qual se processem pesquisas nos mais variados campos da ciência, utilizando o método científico. Na realidade, o Criacionismo se fundamenta em conceitos básicos que são aceitos também por atos de fé no caso do Criacionismo Bíblico, na revelação encontrada no relato bíblico.
É interessante observar, ainda, que pode ser traçado facilmente um significativo paralelo entre as controvérsias que se têm verificado no âmbito da busca do conhecimento da natureza e no âmbito da procura do conhecimento religioso, mostrando freqüentemente a existência de um sinergismo entre as posições adotadas nesses dois âmbitos, que se tem revelado na seqüência das aceitações e substituições de paradigmas e estruturas conceituais no decorrer do tempo. Neste sentido, há cerca de duzentos anos, o paradigma criacionista passou a ser substituído gradativamente nos vários campos da ciência pelo paradigma evolucionista, em conexão com posicionamentos filosóficos, que passaram a influir diretamente nas concepções religiosas, sociais, econômicas, científicas, etc., como se destaca em particular nos comentários apresentados no item seguinte.
6 A Mensagem de Apocalipse 14
Na Pergunta 7 da Lição é destacada a coincidência aparente entre o surto das idéias evolucionistas, ocorrido a partir de meados do século passado, e o início do moderno Movimento Adventista cujas mensagens para o tempo presente são de maneira especial as que se encontram no capítulo 14 do livro de Apocalipse, versos 6 a 12. Na realidade, há algo mais além de simples coincidência, como pode ser evidenciado no esquema comparativo apresentado na página seguinte, onde se destacam alguns eventos de caráter histórico-profético, político-social, científico e religioso, caracterizando embates conceituais que de maneira generalizada atestam o crescente clima de conflito verificado a partir de meados do século passado entre a concepção cristã revelada na Bíblia e as teses materialistas e ateistas fundamentadas em conceitos filosóficos evolucionistas.
BIBLIOGRAFIA
1 Os quatro primeiros tópicos destes comentários são excertos do livro O Sábado, de autoria de Guilherme Stein Jr., publicado em segunda edição pela Sociedade Criacionista Brasileira.
2 Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas. Editora Perspectiva,S. Paulo, 1987.
3 Ruy C. C. Vieira, A Esfericidade da Terra. Sociedade Criacionista Brasileira, Brasília, D.F.
4 Ruy C. C. Vieira, As Limitações do Conhecimento Humano. Folha Criacionista número 58, Sociedade Criacionista Brasileira, Brasília, 1998.
5 Ruy C. C. Vieira, Princípios Básicos da Ciência, Evolucionismo e Criacionismo. Folha Criacionista número 59, Sociedade Criacionista Brasileira, Brasília, D. F.,1998.
Marcos Proféticos 1755 Terremoto de Lisboa 1780 Escurecimento do Sol e da Lua 1798 Fim do predomínio papal 1833 Queda das estrelas 1844 Purificação do Santuário |
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