Estudo 13 - Índice Comentários - Comentários Prof. Roberto Azevedo


A TERRA FEITA NOVA


 

Em todo o trimestre foram feitos comentários e observações a respeito da Criação e do estado de perfeição edênica da Terra recém-criada. Foram também feitas considerações sobre as alterações que se deram na natureza em virtude do rompimento do equilíbrio harmonioso então existente, devido à entrada da morte – como um grande intruso – devido à impossibilidade de coexistência de uma natureza perfeita com seres humanos tornados mortais pela sua deliberada decisão, contrapondo-se aos propósitos e desígnios do Criador.

Recapitulam-se a seguir alguns pontos referentes à perfeição da natureza criada nos seis dias da semana da Criação, para constituir o ambiente aprazível e feliz no qual os seres humanos viveriam eternamente em comunhão com o seu Criador. A intenção, ao encerrarmos estes comentários do trimestre, é apontar para o quadro daquela nova Terra que aguardamos de conformidade com as promessas, onde tudo estará restaurado às suas condições originais, onde "o que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, é o que Deus preparou para aqueles que O amam".

Foi levada em conta, nestes comentários, a publicação da Sociedade Criacionista Brasileira intitulada "O Relato da Criação nas Edições Católicas da Bíblia", que enfatizou a etimologia das palavras chaves utilizadas no texto bíblico do primeiro capítulo de Gênesis.

 

1 – Primeiro dia

"No princípio" é uma expressão que tem a ver com um primeiro momento na história da nossa Terra, no qual foram tomadas decisões iniciais em seguida materializadas na magnificente obra da Criação. Nesse mesmo princípio manifesta-se também o "Verbo" (S. João 1:1-3), que, além de participar diretamente da obra criadora, também participa das decisões relacionadas com a redenção que, se necessário, seria proporcionada pela entrega voluntária de Sua própria vida, como revelado posteriormente nos textos bíblicos – "o Cordeiro de Deus, morto desde a fundação do mundo" ! (S. João 1:35-36 e Apocalipse 13:8).

A Criação, no contexto de Gênesis é um ato solene, uma "cerimônia", que tem sua origem na concepção mental de um Deus Criador que causa, ocasiona, gera, produz, uma obra criada, num processo que pode ser ilustrado, por exemplo, de maneira impressionante, através do nascimento e crescimento dos cereais. A redenção é também um ato solene, que caracteriza a regeneração ou uma nova criação, e teve origem na concepção mental divina, sendo ilustrada no Evangelho com a figura do grão de cereal que tem de morrer para que possa produzir vida em abundância! (S. João 12:23-24).

No princípio, foi criado o espaço, ou seja, foi "aberta a cinzel" a amplidão na qual foi inserida a Terra sólida, entendendo-se esse espaço nas suas duas acepções, de atmosfera (primeiro céu), e de abóbada celeste, ou espaço sideral (segundo céu), além de cujos limites situa-se a morada divina (terceiro céu). Também burilados ou insculpidos na abóbada celeste, ou espaço sideral, estão os corpos celestes, compreendendo as incontáveis galáxias e a impressionante variedade de formas estelares. Criados o Sol e o nosso sistema solar, em nosso planeta foi criada, acima da sua parte sólida, também a parte fluida, que em seguida deu lugar ao céu atmosférico. Que privilégio ser arrebatado, como o foi o apóstolo São Paulo, ao terceiro céu, à morada de Deus, e ouvir palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem sequer referir! (II Coríntios 12:2-4).

No princípio foi criada também a Terra, como um planeta inserido no sistema solar, e no espaço sideral, contendo uma parte sólida – "terra firme" – e uma parte fluida – "os céus" – esta última a ser ainda dividida no decorrer do processo de modelagem do planeta que inicialmente era "sem forma e vazio", dando assim origem à porção seca que finalmente foi denominada "terra" no sentido mais estrito.

A sabedoria antiga registrou as palavras que foram dirigidas a Jó mostrando-lhe a limitação dos seus conhecimentos, as quais bem se aplicam a nós nestes tempos de tanto avanço na ciência e na tecnologia, mas em que permanece ainda a nossa ignorância, não fora a revelação dada por Deus nas Escrituras – "Onde estavas tu, quando Eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? ... Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra angular?" (Jó 38:4-6).

A Terra foi criada "sem forma" e "vazia". Forma em Latim significa não só "forma", "aparência", como também "formosura", "beleza", indicando que o estado primordial do planeta poderia ser compreendido como semelhante ao atual dos seus acompanhantes do sistema solar, dos quais hoje temos magníficas vistas que indicam um estado deserto, estéril, privado de vida, sem utilidade aparente, sem a forma e a formosura de que se revestiu a nossa Terra ao final de sua modelagem no fim da semana da criação. Tão grande é o poder criador de Deus quanto a Sua misericórdia redentora, que nos transforma, fazendo com que o vazio e a esterilidade de nossas almas possa ser preenchido com a formosura do caráter de Cristo! (II Coríntios 3:18).

No início, a matéria formadora do planeta recém-criado achava-se disposta ao acaso, em trevas, sem qualquer ordenação, misturada de forma confusa. Nos atos criativos posteriores, a atuação do Espírito de Deus modifica a distribuição aleatória da matéria de conformidade com o Seu desígnio, propósito, e planejamento, para tornar esta Terra a habitação do ser humano. Graças a Deus somos também hoje chamados das trevas para a Sua maravilhosa luz, aguardando o cumprimento dos desígnios de Deus em nossa vida! (I S. Pedro 2:9).

O Espírito, aquela força impelente que anima (dá alma, dá vida) o mundo, emanando de Deus, participante da própria natureza divina, atuava ativamente na obra criadora desde o início, modelando o planeta no qual seria colocada a raça humana, com o propósito de viver eternamente em comunhão com o Criador. Da mesma forma, o Espírito modela nossa mente, hoje, criando-nos de novo, regenerando-nos, com o propósito de nos restituir a vida eterna em comunhão com o Criador e o Redentor. "... Segundo Sua misericórdia, Ele (Deus) nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que Ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador". (Tito 3:5-6).

O Espírito de Deus manifestava-se, elevado sobre a face da Terra, encarregado da obra criadora, dirigindo o trabalho de ordenamento da matéria até então em estado desordenado sobre a face do abismo. O ordenamento só se torna possível mediante a atuação desse poderoso influxo externo. Excluída a manifestação desse poder externo, a "tendência natural" será sempre o desordenamento, a degradação, a "entropização" da natureza. O mesmo Espírito de Deus atua hoje no coração desordenado do ser humano afastado de seu Criador, transformando-o, regenerando-o – criando-o de novo – ordenando os seus pensamentos e sentimentos de conformidade com a vontade de Deus revelada no Evangelho, preparando-o para vida eterna na nova terra, em comunhão com o Seu Criador e Redentor. (Romanos 12:2).

Disse Deus é uma expressão que contém algo de uma decisão jurídica, que operacionaliza uma concepção prévia, notificando verbalmente, pronunciando, exprimindo, dando a saber, e mesmo predizendo o que iria ser realizado imediatamente, pois "Deus falou e tudo se fez"! (Salmo 33:9). Haja luz é portanto a primeira ordem, dentro do ordenamento todo realizado nos dias da Semana da Criação: "Faça-se a luz", "resulte a luz", "aconteça a luz", de conformidade com o planejamento e os desígnios divinos. E houve luz, isto é, "e a luz foi feita", "resultou" da ordem divina, "aconteceu" como fato predito e predeterminado, de maneira fácil para um Criador onipotente, e também fácil de compreender, pelos olhos da fé, pelo ser humano, embora pareça inexplicável para a ciência naturalista, que elimina a atuação de Deus nas obras da Criação.

Com a ordem de Deus: "Haja luz", não só se manifestou a claridade do dia, como iniciou-se a contagem do tempo para o nosso planeta, dia após dia. O Sol, manifestando a glória de Deus, tornou-se a grande fonte de luz para a nossa Terra, cuja rotação em redor do próprio eixo, ao longo de sua órbita ao redor do Sol, permitiu o início da contagem do tempo, com a definição da unidade de tempo – o dia. A ausência da luz corresponde à cor negra, ou às trevas. A ausência de Deus na vida do ser humano corresponde a trevas espirituais (S. João 3:19-20). Cristo é a "luz do mundo" (S. João 8:12), e a Sua Palavra é a luz para os nossos caminhos! (Salmo 119:105). E a promessa é que os redimidos viverão para sempre na presença do Redentor, cuja luz brilhará sobre eles (Apocalipse 22:5), na cidade que "não precisa nem do Sol nem da Lua para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a ilumina" (Apocalipse 21:23).

A luz do Sol foi criada por Deus com as necessárias qualidades para cumprir o seu propósito, incidindo sobre a Terra, de maneira bela, formosa, útil, conveniente, abundante, opulenta, benévola e benigna. As obras criadas por Deus são boas porque Deus é bom (S. Lucas 18:19), e a fonte de toda a bondade.

A divindade transfere parte de seu fulgor e brilho às suas obras, já no primeiro dia da semana da criação – a esplendorosa luz solar e o primeiro dia do novo planeta. A noite e a escuridão, lembrança do passado anterior à operação direta do Espírito de Deus criando a luz, passaram a ser o símbolo das forças do mal, lideradas pelo "Príncipe das Trevas", que se opõem à operação do mesmo Espírito.

A partir deste primeiro dia da Criação, começam a ser contados os demais, sempre associados ao seu respectivo numeral. No relato da Criação, os sete dias da semana são designados pelo seu número de ordem. Em conexão com o relato do livro de Gênesis, posteriormente, ao serem dados por escrito os Dez Mandamentos, ao sétimo dia foi associada a denominação específica de "Sábado", relembrando que nesse dia o Criador, havendo terminado a Sua obra, abençoou-o, e o santificou, porque nele descansou.

 

2 – Segundo dia

O firmamento, ou "expansão", que passou a existir a partir do segundo dia, teve a finalidade de manter, apoiar, suster, sustentar a parte das águas que ficaram acima da superfície do planeta. Assim, foi criado e mantido um espaço – a atmosfera – entre as águas que se separaram, proporcionando também condições de intercâmbio entre água, solo e ar para que pudesse ser mantida a vida sobre a Terra. Deus hoje também mantém, apoia, sustém e sustenta os Seus filhos, conforme declara o Salmista: "Bendito aquele que confia os seus cuidados ao Senhor, pois Ele o sustentará" (Salmo 55:22)!

Deus continua falando com segurança, sem dúvida, com certeza, palavras verdadeiras, com resultados positivos imediatos. A Sua palavra é a verdade (João 17:17), e verdadeiramente tão logo é pronunciada, ela se materializa. O dom da fala, da palavra, concedido ao ser humano, tem origem divina. A etimologia das palavras aponta para o resquício da verdade revelada que ainda nelas permanece.

 

3 – Terceiro dia

A ordem proclamada no terceiro dia para que as águas se ajuntassem, levado em conta o tempo e a voz do verbo, poderia mais fielmente ser traduzida por "ajuntar-se-ão as águas", evidentemente obedecendo o comando dado por Deus, dentro do propósito de ordenar aquilo que era sem forma e vazio, juntando entre si as porções esparsas de água então dispersas. Referência poética a este evento ocorrido no terceiro dia da Criação (e eventualmente também ao Dilúvio Universal) encontra-se no Salmo 104:8-9: "Elevaram-se os montes, desceram os vales, até ao lugar que lhes havias preparado. Puseste às águas divisa que não ultrapassarão, para que não tornem a cobrir a terra."

E assim as águas debaixo do firmamento, fluindo como um rebanho à procura de local aprazível, congregaram-se nas regiões mais baixas, escoando-se rapidamente para formar as bacias oceânicas, e ao mesmo tempo deixando aparecer as porções continentais de terra seca, "terra firme", e entre elas o limite constituído pelo litoral e pelas praias, indicando a ação erosiva das águas que também foi direcionada para a modelagem da superfície do planeta. E também como as águas se estenderam e sepultaram a parte baixa da superfície terrestre, fazendo-a desaparecer de nossa vista, também a compaixão e o perdão de Deus se estendem sobre nós, misericordiosamente sepultando nossas iniqüidades nas profundezas do mar (Miquéias 7:18-19). Em obediência à ordem de Deus, por ocasião do êxodo, as águas também se dividiram, e o povo de Israel atravessou em seco o Mar Vermelho (Êxodo 14:16 e 21, e Hebreus 11:29), numa demonstração de fé n’Aquele a quem até os ventos e o mar obedecem (S. Mateus 8:27).

A produção dos vegetais a partir da terra inclui os aspectos relacionados com a sua criação (desígnio, propósito), seu aparecimento ou nascimento (operacionalização e gerência ou administração do planejamento), incluindo sua nutrição, manutenção e crescimento, e finalmente a sua conservação como espécie distinta! Deve ser ressaltada, em particular, a compatibilidade e a coerência da criação da luz em seus diferentes matizes do espectro visível, com a preponderância da intensidade da cor verde, e a criação dos vegetais verdes e do mecanismo da fotossíntese para a construção e manutenção dos mais variados tipos de plantas, de conformidade com as suas especificidades.

O processo de produção dos vegetais obedece, de fato, a um planejamento que se torna evidente não só na atuação das condições externas sobre a germinação da semente e o seu crescimento (luz, calor, umidade, ar, solo) como também na estrutura interior das células, no código genético, nas hélices de DNA específicas de cada tipo de planta. Da mesma forma, o plano da salvação estabelecido por Deus se desenvolve de conformidade com o Seu desígnio, até chegar à sua consumação final, com a vinda do Senhor, como expresso por São Tiago em sua epístola (5:7-8): "Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes, e fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima". Uma das características dos vegetais é a produção de frutos em número abundante, a partir de uma única semente, fato este ressaltado na "parábola do Semeador": "Outras (sementes), enfim, caíram em boa terra e deram fruto que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta, e a cem por um" (Evangelho de S. Mateus 4:8). E a messe final da pregação do Evangelho é expressa em Apocalipse 7:9-10: "Depois destas coisas vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação."

Conforme a sua espécie é uma expressão utilizada no relato do terceiro dia da Criação que mostra a existência de continuidade, no decorrer do tempo, do processo de formação das sementes sempre com as mesmas características de seus ancestrais, evidenciando planejamento nas obras da Criação, e que se contrapõe à suposta escala evolutiva na qual as características se transformam como resultado da atuação cega do acaso. Os atos criativos de Deus organizaram a matéria prima encontrada no solo e imprimiram-lhe vida com a capacidade de manutenção e reprodução conforme a sua espécie. A visualização cinematográfica da germinação das sementes e o seu surgimento do solo, com técnicas de "câmara rápida", apresenta uma idéia do que teria sido o impressionante espetáculo da produção da cobertura vegetal terrestre no terceiro dia.

No texto bíblico são intercambiáveis "gênero" e "espécie", não havendo nenhuma distinção taxonômica entre ambas as palavras. O que caracteriza o seu sentido é a descontinuidade e as peculiaridades distintivas das formas vivas, sem formas intermediárias, fato este sucessivamente reiterado no relato bíblico da Criação.

 

4 – Quarto dia

Após a visualização clara do Sol, da Lua e das estrelas, completa-se no quarto dia a separação entre dia e noite, e esses corpos celestes passam a servir para propósitos bem definidos tendo em vista o plano traçado por Deus para a nossa Terra como habitação para o ser humano a ser logo criado. A revolução aparente desses astros com relação à Terra assinalaria o tempo, no sentido de dias, de estações, e de anos, e marcaria também circunstâncias e conjunturas que profetizariam os desígnios de Deus no caso de vir a se desenrolar na Terra o plano da redenção.

Ao pedido dos fariseus e saduceus para que lhes mostrasse um sinal vindo do céu que comprovasse ser Ele o Messias, Cristo lhes respondeu: "Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; e, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis na verdade, discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos?" Os sinais dos tempos indicando o cumprimento das etapas do plano da salvação – o nascimento, a morte, a ressurreição e o segundo advento de Cristo – claramente ficaram manifestos desde o princípio nas estações do ano, nas fases da Lua, nas constelações do Zodíaco, ou em eventos singulares como o da estrela de Belém, e da "queda das estrelas" observada no início do século passado, prenunciando a volta de Cristo, na mais impressionante chuva de meteoros jamais observada.

A energia irradiada pelo Sol, e sentida por nós na forma de luz e calor, é resultado de uma cadeia de reações nucleares que se processam em seu interior, fazendo-o arder, brilhar, e luzir. A luz brilhante irradiada pelo Sol incide diretamente sobre a Terra durante o dia, e é também refletida pela Lua, incidindo indiretamente sobre a Terra. A luz das estrelas, mais tênue, também incide sobre a Terra, dia e noite. Resulta dessa iluminação um quadro esplendoroso, realçando os adornos do firmamento, e revelando a glória de Deus (Salmo 19).

O Sol não só governa ou comanda o dia, no sentido de definir o seu início e fim, mas também é o astro maior, cuja luz ofusca e sobrepuja a dos demais corpos celestes. Cristo, o "Sol da Justiça" (Malaquias 4:2), é o comandante das hostes celestiais, que deu início e dará o fim ao plano da salvação, Ele mesmo sendo a luz do mundo (João 8:12), ofuscando e sobrepujando em esplendor todos os seres angelicais, por ser "o resplendor da glória" do próprio Deus (Hebreus 1:1-3).

Embora o Sol tenha dimensões imensamente maiores do que a Lua, devido às suas diferentes distâncias relativamente à Terra os diâmetros aparentes desses dois astros curiosamente são praticamente iguais, como se evidencia nos eclipses totais do Sol. A Lua é o "luminar menor" pelo fato de não possuir luz própria, e refletir somente uma pequena parcela de toda a luz solar. As coisas criadas, tanto materiais como espirituais, simplesmente refletem pequena parcela do esplendor e da glória de Deus (Salmo 19:1). "Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e sem dúvida uma é a glória dos celestiais, e outra a dos terrestres. Uma é a glória do Sol, outra a glória da Lua, e outra a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor" (I Coríntios 15:40-41). E na nova terra, "os que forem (ou tiverem sido) sábios, resplandecerão como o fulgor do firmamento, e os que a muitos conduzirem (ou tiverem conduzido) à justiça, como as estrelas sempre e eternamente" (Daniel 12:3).

"Louvai ao Senhor porque é bom ... O Senhor conta o número das estrelas, chamando-as todas pelos seus nomes. Grande é o Senhor nosso, e mui poderoso; o Seu entendimento não se pode medir" (Salmo 147:1 e 4-5).

 

5 – Quinto dia

No quinto dia, a expressão "Produzam as águas répteis de alma vivente", talvez possa trazer para a maioria das pessoas dificuldades para a compreensão do texto, em virtude do sentido comumente atribuído à palavra alma como algo específico inerente ao ser humano, um fluido imaterial que mantém a identidade e a individualidade da pessoa após a sua morte. Na realidade alma vivente é sinônimo de ser vivente, sendo uma expressão geral que se aplica indistintamente a toda criatura que tem vida, e não somente ao ser humano. Uma alma vivente, conforme o texto bíblico, é um ser vivo, composto, como o homem, do pó da terra, e do "sopro" de vida, ou "espírito", comunicado por Deus para animar o inanimado. A vida é, portanto, algo mais do que uma justaposição irredutivelmente complexa de moléculas orgânicas, provenientes dos elementos químicos que se encontram sobre a Terra!

 

6 – Sexto dia

Destacam-se, dentre os animais criados no sexto dia, duas categorias especiais, em conexão com o plano geral que inclui a criação do ser humano. De maneira geral, a primeira categoria seria a dos animais domésticos, que aceitam o jugo, o domínio, ou a proteção do ser humano, vivendo no ambiente da casa (domus) e sendo-lhe úteis de várias formas. De maneira geral, também a Segunda categoria seria a dos animais selváticos, que vivem na selva, distantes do ambiente da casa, e sem manifestar utilidade direta ao ser humano. A ferocidade destes animais, constante do relato deste dia da Criação, é algo que se manifestou somente posteriormente à queda, provavelmente em conseqüência de suas características anatômicas mais facilmente adaptáveis à predação. Fica claro, no texto bíblico, que o planejamento ecológico do planeta que estava sendo modelado para ser a habitação dos seres vivos não estabelecia "cadeias alimentares" que dependessem da morte de animais. Os vegetais foram designados para serem a fonte de alimento de todos os animais e do ser humano também.

A criação do homem "à imagem e semelhança" do Criador constitui um ato que não necessita ser interpretado de forma estritamente antropomórfica, podendo apontar para algo mais ligado a atributos de Deus que têm a ver com a Sua essência espiritual.

Na Criação, o domínio foi dado a Adão, sendo posteriormente usurpado por Satanás, mas Deus continua soberano, dando o domínio a quem Ele quer (Daniel 4:32). E na restauração de todas as coisas novamente o domínio volta a Adão e sua descendência, os remidos. Deus deu ao homem originalmente tudo o que era necessário à manutenção da vida, incluindo a própria árvore da vida (Gênesis 2:9). Após a queda, Deus deu o Seu próprio Filho para a redenção da humanidade (S. João 3:16), para que novamente o homem pudesse ter vida, e vida abundante (I Coríntios 15:53) em uma Terra restaurada à sua perfeição original! Como cristãos, aguardamos, assim, o cumprimento da promessa expressa em I Tessalonicenses 4:16-17 e I Coríntios 15:51-53: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor." "... Transformados seremos todos. ... Porque é necessário que ... o corpo mortal se revista da imortalidade ... "

No encerramento da semana da Criação, é feita a enfática declaração de que tudo o que havia sido criado, dando forma e formosura ao planeta, e enchendo-o de seres vivos, que deveriam reproduzir-se conforme a sua espécie, era superlativamente "extremamente bom", ficando assim validada a operacionalização da concepção criadora inicialmente estabelecida "no princípio". Como crentes na revelação de Deus expressa no texto bíblico, aguardamos com ansiosa expectativa a consumação de Seu Plano de Redenção, e os novos céus e a nova terra, pois "Aquele que está assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras . ... Tudo está feito. ... O vencedor herdará estas coisas, e Eu lhe serei Deus, e ele Me será filho." (Apocalipse 21:5-6).


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