Estudo 4 - Índice Comentários - Comentários Prof. Roberto Azevedo
CRIAÇÃO EM SEIS DIAS |
1 Observações gerais
O assunto da lição desta semana foi abordado de uma maneira abrangente nos números 52 e 53 da Folha Criacionista, nos quais foram apresentados vários artigos de autores adventistas que de longa data se dedicaram ao estudo do tipo de questões aqui tratados.
O primeiro artigo é a transcrição do capítulo "A Semana Literal" do livro Patriarcas e Profetas, de autoria de Ellen G. White, publicado pela Casa Publicadora Brasileira.
O segundo artigo é a transcrição do capítulo "O Hexameron" do livro O Sábado, de Guilherme Stein Jr., em sua segunda edição, publicada com anotações e anexos adicionais pela Sociedade Criacionista Brasileira.
Em seguida, os próximos três artigos correspondem respectivamente aos capítulos "No Princípio Deus", "O Princípio", e "O Clímax da Criação", do livro Origin by Design, de autoria de Harold G. Coffin, ex-professor de Paleontologia da Andrews University, e pesquisador do Geoscience Research Institute, nos Estados Unidos da América do Norte.
Seguem-se os artigos "A Semana da Criação: Do Primeiro ao Quinto Dia", e "A Origem dos Animais Terrestres Segundo a sua Espécie", respectivamente transcrições dos capítulos 13 e 14 do livro Estudos sobre Criacionismo, de Frank Lewis Marsh, publicado pela Casa Publicadora Brasileira.
Todos os sete artigos citados acima estão incluídos no número 52 da Folha Criacionista. E na Folha Criacionista número 53 foram publicados os demais três artigos mencionados a seguir:
"No Princípio: Como Interpretar Gênesis 1", de autoria de Richard M. Davidson, professor do Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia, em Berrien Springs, Michigan, U.S.A..
"A Palavra Terra em Gênesis 1:1", de autoria de Niels-Erik Andreasen, professor de Antigo Testamento na Universidade de Loma Linda, U. S. A..
"Os Dias da Criação em Gênesis 1 Dias Literais ou Períodos de Tempo Figurados?", de autoria de Gerhard F. Hasel, professor de Teologia Bíblica e Velho Testamento na Andrews University, U. S. A..
Além desses dez artigos publicados nos dois números citados da Folha Criacionista, a Sociedade Criacionista Brasileira elaborou mais recentemente também uma publicação avulsa voltada para uma análise mais profunda da etimologia das palavras da língua portuguesa utilizadas no texto dos seis dias da semana da criação: "O Relato da Criação nas Edições Católicas da Bíblia Vestígios da Revelação Bíblica nas Raízes Lingüísticas Latinas".
Toda essa bibliografia cobre de maneira bastante ampla o tema da Lição da Escola Sabatina desta semana, motivo pelo qual serão apresentados aqui poucos comentários específicos adicionais. De qualquer maneira, recomenda-se com ênfase a leitura dessa bibliografia básica citada.
2 Disse Deus: Haja luz
A etimologia do verbo dizer, de origem latina, deixa entender que a expressão Disse Deus contém algo de uma decisão jurídica, que operacionaliza uma concepção prévia, notificando verbalmente, pronunciando, exprimindo, dando a saber, e mesmo predizendo, o que iria ser realizado imediatamente, pois "Deus falou e tudo se fez" (Salmo 33:9).
Haja luz é, portanto, a primeira ordem, dentro do ordenamento todo realizado nos dias da Semana da Criação "faça-se a luz", "resulte a luz", "aconteça a luz" de conformidade com o planejamento e os desígnios divinos. "E houve luz", isto é, "e a luz foi feita", "resultou" da ordem divina, "aconteceu", como fato predito.
Luz, em português, deriva de uma raiz latina que se manifesta também no verbo luzir ("estar brilhando"), e sempre está associada à divindade, que, da mesma forma que seus mensageiros (anjos de luz), se manifesta de maneira brilhante, resplendente.
Deus, em português e em latim, é palavra que deriva de uma raiz sânscrita que tem o significado de "brilhante", associando a divindade ao brilho ou glória de que se reveste. Cristo é o "resplendor da glória e a expressão exata da divindade" (Hebreus 1:3), como foi manifesto aos discípulos no monte da transfiguração. À palavra dia está também associada a idéia de brilhar, derivando da mesma raiz.
Dia, entretanto, além de significar o período claro em que, direta ou indiretamente se manifesta a luz solar, tem o significado mais abrangente de um período de vinte e quatro horas que corresponde a uma rotação completa da Terra. A partir do primeiro dia da Criação, começam a ser contados os demais dias da semana, sempre designados pelo seu número de ordem, até ao sétimo dia, que posteriormente recebeu a denominação específica de sábado.
As interpretações de que os dias possam ser divididos em duas espécies: os três primeiros, iluminados por um tipo de luz, e os demais, pelo Sol, não condiz com um relato literal da Criação. A existência do primeiro dia, e a própria conceituação de dia, exige desde o princípio a existência de um Sol, em torno do qual a Terra se desloque, em seus movimentos de rotação e translação. [Observe-se que no esboço da lição apresentado no Auxiliar item III. A está a declaração: "Os dias da Criação foram determinados pelo pôr e pelo nascer do Sol."].
Nesse sentido, é interessante considerar o significado original de luminares no texto correspondente ao quarto dia da Criação. A palavra latina de onde deriva nosso termo luminar significa luminar propriamente dito, astro, luzeiro do céu, e por extensão luz, candeia, vela acesa, lâmpada, e também fresta, janela. Assim, os luminares o Sol, a Lua, e as estrelas existentes desde o início, tornam-se visíveis para o observador situado sobre a superfície do planeta, após a rarefação da atmosfera provocada pela separação entre águas de cima e águas de baixo, completada no terceiro dia. Tudo se passa como se tivessem sido então abertas "frestas", ou "janelas" através do firmamento, permitindo assim a visualização clara desses corpos celestes, cuja luz anteriormente devia ser percebida somente de maneira difusa.
3 Segundo a sua espécie
"Segundo a sua espécie" é uma expressão que mostra a existência de continuidade, no decorrer do tempo, do processo de formação dos descendentes sempre com as mesmas características de seus ancestrais, evidenciando a existência de planejamento nas obras da Criação, em contraposição à suposta atuação do acaso. A expressão repetida "segundo a sua espécie" enfatiza a tese criacionista, a qual tem enfrentado no decorrer do tempo, e particularmente hoje, o assédio generalizado das teses evolucionistas.
4 Sinais de degradação e não de evolução do ser humano
Os seres humanos [e não "os humanos", o que vem a ser um deplorável anglicismo que aí está somente para evidenciar mais uma degradação a da bela língua portuguesa, a última flor do Lácio, verdadeiramente "inculta"!], perfeitos em sua organização e belos em sua forma ao saírem das mãos do Criador, comprovam o poder e a resistência de que foram dotados desde o início por estarem resistindo durante seis mil anos ao crescente processo de degradação iniciado com a sua separação da fonte da vida.
A degeneração do ser humano após sua separação de Deus, e sentida especialmente após o Dilúvio, pode ser ilustrada pelo decréscimo da longevidade dos patriarcas. A esse processo associaram-se outros mais, resultantes de causas comuns, como, por exemplo, a redução do porte físico, a diminuição da capacidade física e mental, a vulnerabilidade à atuação crescentemente agressiva do meio, etc.
Surpreendentemente, os dados cronológicos apresentados no texto bíblico, devidamente considerados, levam a uma curva de interpolação, a partir do Dilúvio, que obedece a uma lei exponencial logarítmica decrescente! Exponenciais decrescentes caracterizam fenômenos de degradação cumulativa, como, por exemplo, o amortecimento de sistemas mecânicos e elétricos, a atuação deletéria de radiações ultravioletas, e a própria desintegração radioativa dos elementos nuclearmente instáveis.
Mais uma vez, cavando fundo no texto bíblico, que sabidamente não é nem foi dado com a intenção de ser um compêndio científico, o pesquisador sincero da verdade pode encontrar evidências notáveis de sua inspiração, mostrando o perfeito acordo entre a revelação e as conquistas da verdadeira ciência.
BIBLIOGRAFIA