Estudo 8 - Índice Comentários - Comentários Prof. Roberto Azevedo


HAVIA MORTE ANTES DO PECADO?


1 – As cadeias alimentares e os processos de manutenção na natureza

Muitas perguntas e considerações podem ser feitas com relação ao tema da Lição desta semana. Deve-se sempre ter em mente, entretanto, que é extremamente difícil tentar reconstruir o cenário edênico estabelecido para propiciar vida eterna, a partir de conhecimentos que hoje adquirimos dos processos que têm a ver com a manutenção da vida, em um cenário onde passou a imperar a morte como conseqüência do pecado.

Uma primeira pergunta poderia ser se teria ocorrido morte em conexão com a decomposição de matéria vegetal viva, antes do pecado.

A resposta a esta pergunta leva-nos ao texto bíblico da semana da Criação, em que, no sexto dia foi declarado que ao ser humano foram dados por mantimento todas as ervas que dão semente, e todos os frutos das árvores em que há fruto que dê semente, e aos animais da terra, às aves dos céus, e a todos os répteis da terra foi dada a erva verde para mantimento. Assim, o fato de que as plantas foram designadas para o alimento dos animais e do ser humano, torna evidente que ocorria certo tipo de morte – a "morte" de pelo menos partes das plantas – antes da entrada do pecado no mundo. De fato, conforme ressalta Frank Lewis Marsh, "cada grão e cada noz que eram comidos significava a morte para todo o respectivo organismo em seu estado embrionário." A morte assim existente no seu sentido lato, significava simplesmente que "o protoplasma vivo das frutas, nozes, cereais, vegetais e ervas era assimilado por algum animal para lhe servir de delicioso alimento". A substância viva embrionária não era destruída, mas sim transformada em substâncias mais simples que posteriormente por um processo de síntese se incorporava nos tecidos animais, para ser usada na regulação dos processos vitais, ou como fonte de energia. A vida embrionária contida na semente continuava assim a participar da vida em um outro organismo vivo, podendo-se dizer que este processo na realidade não caracterizava a morte propriamente dita, ou seja, "a volta ao pó" considerada em outros textos bíblicos.

Quanto à decomposição de matéria vegetal, a partir do cenário atual deve-se lembrar que se pode depreender que teria sido mesmo até necessário que existissem métodos para a eliminação de resíduos de organismos que já tivessem cumprido o seu propósito como alimento. É o caso, por exemplo, de cascas de nozes, e partes não comestíveis de frutos e grãos. Nesse sentido, pode-se depreender também que teriam existido organismos encarregados da decomposição, como leveduras, bolores e bactérias capazes de transformar os resíduos em substâncias mais simples, para poderem ser eventualmente reaproveitadas. Torna-se claro, então, que, para manter a Terra livre do acúmulo de resíduos provenientes dos próprios alimentos consumidos pelos animais e seres humanos, o Criador deve ter instituído mecanismos de reciclagem. Dentre esses mecanismos, destacam-se ainda hoje aqueles que constituem os Ciclos do Nitrogênio, do Carbono, do Oxigênio, e da água.

O texto bíblico esclarece, portanto, que o "planejamento ecológico" do planeta modelado para ser a habitação dos seres vivos não estabelecia "cadeias alimentares" (como as concebidas atualmente nos estudos ecológicos), que dependessem da morte de animais, pois os vegetais haviam sido designados para constituírem a fonte de alimento para o ser humano e para todos os animais.

2 – O reinado dos dentes e das garras

Em conexão com a questão da existência da morte antes do pecado, e o reinado dos dentes e das garras, segue um trecho ilustrativo de Frank Lewis Marsh:

"Por todo o tempo em que os animais olharam a Adão como seu superior e como alguém a quem deveriam adorar e amar a seu modo limitado, suas relações recíprocas eram completamente amistosas e pacíficas. Mas quando as comportas da desordem foram abertas pela transgressão do homem, a atitude dos animais mudou-se para com o homem, e ao mesmo tempo, em inúmeros casos, as relações entre animais tornaram-se definitivamente inamistosas. Começou o reinado dos dentes e das garras.

Quando a perversão do instinto começou a se desenvolver sob as manipulações perversas de Satanás, apareceram espécimes que se tornaram destruidores de outros animais. A destruição da vida por meio de instintos pervertidos levou-os a devorar os corpos de suas vítimas, para se alimentarem. A adoção desse regime carnívoro não foi possível a todos os animais. Somente aqueles cujo equipamento em matéria de dentes, patas e trato digestivo era adaptado para arrebatar e digerir a carne tornaram-se os ancestrais de nossos modernos carnívoros.

A influência da teoria da evolução orgânica tem viciado nosso pensamento, levando-nos a supor inconscientemente que os comedores de carne obtiveram seus dentes caninos gradualmente, como resultado de terem adquirido o hábito de comer carne. Não temos nenhuma prova científica de que foi assim. Se devemos ficar com a ciência e com o testemunho da natureza, devemos admitir que os hábitos dietéticos não mudam o tipo dos dentes. Os ancestrais de nossos cães e gatos modernos, por exemplo, tornaram-se carnívoros porque estavam na posse de uma dentição que os capacitou a usar a carne no seu regime. Em tempos anteriores, sem dúvida eles colhiam vários frutos adequados, e brotos herbáceos. Os ancestrais de nossas águias, falcões e corujas tornaram-se carnívoros porque suas garras e bicos eram adequados a tal regime. Sem dúvida, anteriormente eles se alimentavam de nozes, sementes e frutos. É muito provável que antes do dilúvio fossem produzidos frutos por certas plantas, contendo proteína concentrada que poderia nutrir os animais de trato digestivo curto."

3 – Simbiose, Comensalismo, e Parasitismo

Sem dúvida, existe um conflito entre o conceito de uma Criação perfeita e o mundo tal qual o vemos hoje, onde uma onda sem fim de organismos de vários tipos causa enfermidades, sofrimento e morte. Um dos pontos de vista criacionistas aceita que ocorreram pequenas mudanças nos tipos de organismos originalmente criados, produzindo enormes variedades diferentes desses tipos originais, mas conservando muita semelhança com eles. Este ponto de vista, entretanto, conflita com o aspecto apresentado por muitos organismos parasitários, que possuem morfologia bastante independente, destroem os tecidos de seus hospedeiros, e os exterminam. De fato, em muitos casos têm os parasitos também ciclos de vida complexos, que exigem devorar o seu hospedeiro para sobreviver.

Que resposta poderia então dar um criacionista a este conflito entre a estabilidade relativa da morfologia dos organismos e a existência atual de organismos tão grandemente diferentes daquilo que seria de se esperar a partir de uma Criação original?

Observa-se, inicialmente, que os parasitos não estão limitados a nenhum grupo especial de organismos, embora sejam mais comuns entre as formas menores, sendo os grupos superiores freqüentemente seus hospedeiros. Não somente existe uma grande variedade de parasitos, como também aparecem eles em quantidades tremendamente grandes. Bactérias parasitárias aparecem em todos os animais superiores, aos milhões de milhões. Teve-se conhecimento de que uma só pessoa evacuou 45 milhões de amebas histolíticas enquistadas. Em outra pessoa, encontraram-se 5 mil ascarídeos. Uma ovelha pode alojar 20 mil nematelmintos, e um avestruz adulto até 50 bilhões de ciliados em seu estômago, cada um dos quais se dividindo pelo menos uma vez por dia! Fica claro que os parasitos são onipresentes e numerosos.

Podem ser adotadas duas idéias gerais a respeito da origem dos parasitos, conforme destacado pelo conhecido pesquisador criacionista Dr. Ariel Roth, do Geoscience Research Institute, de Loma Linda, Estados Unidos da América do Norte, em interessante artigo publicado na Folha Criacionista número 22, sob o título "A Origem dos Parasitos" :

A primeira, que eles eram parte do plano original da Criação. Nesse caso, alguns organismos deveriam ter vivido em estreita relação uns com os outros, ajudando-se mutuamente. Nesse sentido é que existiria "uma hierarquia de interdependência, que teria lugar dentro da lei do serviço estipulada por Deus". Depois que entrou o pecado no mundo, esses organismos se modificaram, degradando-se de tal forma que vieram a se tornar prejudiciais.

A segunda idéia é que os parasitos não faziam parte do plano original da Criação, e surgiram posteriormente devido a modificações verificadas em organismos independentes. Esta idéia deve admitir a existência de grande número de modificações, pois alguns fila completos são compostos de parasitos.

O Dr. Ariel Roth apresenta, em seu artigo, argumentos favoráveis e desfavoráveis a cada uma das idéias expostas acima. Fala, também, sobre aspectos genéticos ligados à origem dos parasitos, e aborda o problema da predação, de maneira geral. E conclui que aparentemente a maioria dos parasitos tem-se desenvolvido a partir de organismos independentes, desde que o pecado entrou no mundo, com todas as suas conseqüências funestas, ocasionando inclusive processos degenerativos.

Esta conclusão parece bem natural, em vista de que grande quantidade dos parasitos atuais tem contrapartes independentes muito semelhantes, que podem ter-se degenerado em uma existência parasitária. Exemplos a respeito incluem as bactérias parasitárias, fungos, protozoários, nematódeos, moluscos, artrópodes e vertebrados. Esta idéia é mais aceitável, de conformidade com o conceito de uma Criação perfeita em sua origem.

Além do mais, o processo envolvido na produção de um parasito a partir de um organismo independente parece ser, em grande medida, de índole degenerativa, e a Genética tem demonstrado a rapidez com que pode ocorrer esse tipo de processo, quando comparado com um processo generativo eventual. De fato, requer muito menos tempo e esforço desmontar um relógio, do que fabricá-lo!

Resumindo, a simbiose, o parasitismo e o comensalismo, se bem que pudessem ter existido sob uma forma hierárquica benéfica de interdependência, antes do pecado, apontam para processos de degenerescência, os quais freqüentemente hoje tornam-se de difícil explicação dentro das hipóteses evolucionistas geralmente aceitas pelo estamento científico.

4 - Um modelo criacionista para compreender os processos naturais

Independentemente de nossa estrutura conceitual – criacionista ou evolucionista – os processos naturais poderiam ser classificados em um ou dois dos tipos seguintes:

1 – Processos de melhoramento – as coisas melhoram e tornam-se mais complexas.

2 – Processos de conservação – as coisas permanecem fundamentalmente iguais.

3 – Processos de degeneração – as coisas pioram, degradam-se, e desordenam-se.

Na discussão dos processos naturais, o modelo criacionista aceita as categorias de número 2 e 3, em conformidade com as confirmações feitas no ramo da ciência conhecido como Termodinâmica. Os interessados poderão obter mais informações sobre a Primeira e a Segunda Leis da Termodinâmica nos artigos constantes da Coleção de Separatas publicada pela Sociedade Criacionista Brasileira sobre o assunto. Por outro lado, os processos supostamente evolutivos enquadram-se na categoria de número 1, não sendo, entretanto, nem observáveis, nem possíveis, pois contrariariam pelo menos a Segunda Lei da Termodinâmica, reconhecida como uma das mais incontrovertidas verdades científicas. Seguem abaixo algumas das considerações constantes do artigo de Emmett L. Williams publicado no número 17 da Folha Criacionista, versando sobre um modelo criacionista para os processos naturais.

Vejamos algo sobre o Criacionismo e as leis conservativas na natureza.

No final dos seis dias da Criação, veio à existência um mundo físico acabado e em pleno funcionamento. Poder-se-ia perguntar como o Criador pretendia assegurar a continuidade de Sua Criação. Sem dúvida, poderia manifestar-Se direta e pessoalmente para garantir o seu funcionamento adequado. Poderia, ainda, enviar anjos para velarem diretamente sobre Sua obra. Alternativamente, poderia Ele ter estabelecido certas leis e processos físicos, químicos e biológicos para assegurar a continuidade de Sua criação em nosso planeta. Muitos criacionistas aceitam esta última possibilidade como a origem dos processos conservativos. Deus estabeleceu-os para conservar, manter ou preservar a Sua Criação. Por exemplo, Deus ordenou que os vários organismos vivos se multiplicassem e enchessem a terra. Essa reprodução seria "conforme a sua espécie", e esta frase se encontra repetida em Gênesis 1:11, 12, 21, 24 e 25 no relato da Criação. Qualquer que tenha sido a extensão dessas espécies originais, deveriam elas reproduzir-se, de tal forma que os organismos vivos fossem preservados na Terra mediante a sua reprodução. Por trivial que possa parecer, ainda após a entrada do pecado, e conseqüentemente da morte, a reprodução garante a conservação da espécie, sendo portanto um processo conservativo.

Numerosos processos conservativos foram sendo descobertos pela ciência, e passaram a constituir importante fundamento teórico para a Física (como por exemplo a Lei da Conservação da Energia) e a Química (como por exemplo a Lei da Conservação da Massa), e sem dúvida implicam desígnio, planejamento e propósito. De maneira mais ampla, a operação ordenada do mundo físico-químico é responsável pela reprodutibilidade de fenômenos resultantes das mesmas causas. Assim, por exemplo, quatro gramas de Hidrogênio combinadas com 32 gramas de Oxigênio sempre formarão 36 gramas de vapor d’água liberando sempre a mesma quantidade de energia térmica. Da mesma maneira, carvalhos produzirão bolotas que nascerão produzindo carvalhos, que produzirão bolotas, que produzirão carvalhos; e cães adultos terão cãezinhos, que crescerão até ser cães adultos, etc. Isso acontece hoje em dia, como há séculos, e como até o mais remoto futuro (a menos de uma intervenção direta de Deus para alterar este Seu planejamento).

Vejamos algo também sobre os processos degenerativos na natureza e o Criacionismo.

Observam-se hoje na natureza também processos degenerativos – coisas tendem a se desintegrar, organismos vivos a deteriorar-se e morrer – um contínuo deslocamento na direção do desordenamento. Quando ter-se-ia iniciado a operação deste princípio no mundo, ninguém poderá afirmar com certeza. A Bíblia silencia, e a ciência não oferece resposta à pergunta. Muitos criacionistas supõem que os processos degenerativos originaram-se com a queda, embora a unidirecionalidade pudesse ter existido nos processos naturais antes da queda.

A base para tais suposições em princípio encontra-se no texto de Gênesis 1:31 – "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom". Um estado de perfeição natural nos é dado como existente, sem degeneração, todos os processos apresentando total eficiência, sem a existência da morte de qualquer ser vivo. Evidentemente, a existência de um mundo assim choca-se com o processo mental de quem vive no mundo de hoje – é incompreensível! A introdução dos processos degenerativos alterou o funcionamento da natureza – os processos conservativos tentam preservar a ordem criada, mas os degenerativos atuam em contraposição, resultando deste balanço de forças freqüentemente o predomínio da degeneração e a destruição da ordem inicial.

Em resumo, os processos degenerativos estão lentamente destruindo a ordem inicialmente estabelecida no mundo, enquanto que os processos conservativos asseguram ainda a continuidade da vida. A inteligência humana pode auxiliar os processos conservativos. De fato, por exemplo, o homem venceu várias moléstias que grassaram, e que poderiam tê-lo destruído, e mesmo o que pode hoje parecer progresso nada mais significa do que a utilização de processos conservativos previamente estabelecidos. Os processos conservativos operam mais eficientemente sob condições que se mostrem adequadas aos organismos vivos, e os degenerativos sob condições inadequadas a eles, causando-lhes sofrimento e morte de indivíduos, e até mesmo extinção de espécies.

Somente com a restauração de todas as coisas, de conformidade com as promessas registradas na Bíblia, dentro do Plano da Redenção, é que as coisas velhas se tornarão novas, e o que é corruptível e mortal novamente será revestido da incorruptibilidade e da vida eterna.

5 – O rompimento e a restauração da estabilidade inicial

Da mesma forma como se propagam as ondas produzidas por uma pedra que é lançada na superfície de um lago, a perturbação introduzida na natureza pela transgressão ocorrida na esfera moral propagou-se também às esferas inorgânica e orgânica da Criação, em face da íntima conexão entre todas elas, como parte de um planejamento que exprime propósito e desígnio. Rompida, assim, a estabilidade inicialmente introduzida na concepção e na operação da natureza originalmente criada, seguiram-se conseqüências diversificadas.

Na esfera orgânica, o conflito surgido entre as alternativas de manter a eternidade da vida, perpetuando assim o pecado, ou de introduzir a morte como um mecanismo estabilizador, levou inevitavelmente ao estabelecimento de processos "naturais" de degradação, degeneração, envelhecimento, doença e morte, aliás anteriormente previstos implicitamente na declaração: "Certamente morrerás!". Na esfera inorgânica, às leis conservativas somaram-se também leis degenerativas, cuja atuação interferiu diretamente com os processos orgânicos e os fenômenos vitais, no sentido de estabelecer novo e inferior patamar de estabilidade, compatível com os novos processos "naturais".

Dentro desse quadro extremamente desolador, entretanto, encontramos na Bíblia promessas de restauração da perfeição original. A perturbação introduzida nas esferas moral, orgânica e inorgânica, cessará com um novo ato criativo e ordenador a ser efetuado por Deus:

Novos céus e nova terra, onde novamente habitará a justiça.

Isaias 65:17 – Pois eis que Eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas.

II Pedro 3:13 – Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.

Novas criaturas humanas, novamente revestidas da imortalidade.

I Coríntios 15:53 – Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.

6 – Deus e a natureza

No contexto bíblico, a natureza não se confunde com o Criador, com a divindade, mas é, sim, o produto do Seu desígnio, do Seu planejamento, do Seu propósito, no qual se insere, de maneira mais ampla, além do plano da Criação, também o plano da Redenção. A propósito, apesar da transformação sofrida pela natureza em virtude da entrada do pecado no mundo, que introduziu uma nova condicionante – a morte – o planejamento inicial traçado na Criação permitiu ainda a existência da vida sob as novas condições. Não mais vida eterna, mas vida ainda abundante, com mecanismos conservativos que permitiram adaptações as mais diversas, possibilitando a manutenção dos processos vitais ao longo de uma ampla gama de variação de temperaturas, pressões, umidade, solo, luz, e outros parâmetros físicos, químicos e biológicos que também foram afetados negativamente pela entrada do pecado.

Assim, ao se falar de "leis da natureza", deve-se ter em mente que se trata de leis estabelecidas por Deus para reger a natureza, com ordem e previsibilidade, não permitindo comportamento caótico, imprevisível. Deus é o Legislador, e por isso Suas "leis da natureza" refletem também o Seu caráter, da mesma forma que Sua lei moral.

Mesmo neste interregno ocasionado pelo pecado, as "leis da natureza" desempenham um inquestionável papel no sentido de estabelecer padrões de confiabilidade para o ser humano em seu estado de afastamento de Deus, demonstrando "os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder como também a Sua divindade", claramente reconhecidos "desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Romanos 1:20).

Não deixa de ser interessante observar que escrever a palavra "natureza" com inicial maiúscula até certo ponto reflete inconscientemente um viés evolucionista que leva a considerar a natureza como algo que surge para substituir a Deus como Criador. De fato, no contexto evolucionista a "Natureza" é sutilmente apresentada como algo sempre existente por si mesmo, com leis eternas e imutáveis, e com um propósito que aponta sempre no sentido do progresso, do aprimoramento. Assim, eternidade, imutabilidade, amor – atributos básicos do Deus Criador a quem adoramos, como criacionistas – passam a ser características dessa nova divindade adorada consciente ou inconscientemente pelos evolucionistas, a "Natureza", cujos propósitos passam a reger os destinos de todo o universo, em sua concepção! Cabe muito bem aqui ressaltar a citação apresentada no Comentário inicial da Lição: "Aqueles que questionam a confiabilidade dos registros bíblicos ... quando se descobrem incapazes ... por seu próprio conhecimento da ciência ... questionam a existência de Deus e atribuem poder infinito à natureza."

BIBLIOGRAFIA

1 - Frank Lewis Marsh, Estudos sobre Criacionismo. Casa Publicadora Brasileira, Santo André, SP, s/d.

2 - Ariel Roth, A Origem dos Parasitos. Folha Criacionista número 22, Sociedade Criacionista Brasileira, Brasília, DF, 1980.

3 - Sociedade Criacionista Brasileira, Coleção de Separatas sobre o Primeiro e o Segundo Princípio da Termodinâmica, Brasília, DF, 1995.

4 - Emmett L. Williams, "Um modelo criacionista para os processos naturais." Folha Criacionista número 17, Sociedade Criacionista Brasileira, Brasília, DF, 1978.


Estudo 8 - Índice Comentários - Comentários Prof. Roberto Azevedo