Auxiliar e Comentários Adicionais


ESBOÇO

Texto-chave: Salmo 33:4

Objetivos:

1. Comentar a possibilidade de perceber Deus na natureza.

2. Enfatizar que a Bíblia é a intérprete da natureza.

3. Recapitular o que a Bíblia diz sobre a natureza.

Esboço:

I. Podemos perceber Deus pela natureza (Sal. 19:1-6).

A. O "naturalismo" vê apenas princípios em ação no Universo.

B. O "sobrenaturalismo" enxerga a mente divina por detrás dos princípios em ação no Universo.

C. Os escritores bíblicos são sobrenaturalistas em seu enfoque da Criação.

II. A Escritura é a intérprete de Deus na natureza (II Ped. 1:19-21).

A. A Bíblia revela o Criador do mundo e da humanidade (Criação).

B. A Bíblia registra a verdadeira história da humanidade (Queda).
C. A Bíblia registra os eventos da história da Salvação (Redenção).

III. A Bíblia diz a verdade quanto à natureza.

A. A natureza foi idéia de Deus, portanto, Deus é capaz de fazer-nos compreendê-la.

B. A natureza ilustra muitos dos princípios da salvação.

C. As assim chamadas contradições da natureza com a Bíblia geralmente estão baseadas em nossa falta de informação ou de compreensão.

Sumário:

As Escrituras apresentam a Criação como uma obra e revelação de Deus, na qual percebemos Seus atributos, como poder, ordem, causa e efeito. Mas, por mais sensível que seja nossa mente para perceber essas qualidades de Deus na natureza, ainda precisamos que algumas coisas sejam interpretadas e explicadas. Este é o papel da Escritura. A Bíblia nos revela quem está por trás da Criação, e por que as coisas acontecem como são. Daí precisamos de uma história autêntica, verdadeira, factual e confiável nas Escrituras.

Comentários

Corretamente interpretadas, as revelações de Deus nas Escrituras e no mundo natural estão em perfeita harmonia. Quer estudemos organismos unicelulares ou ecossistemas por inteiro, é evidente que uma inteligência divina de infinita capacidade planejou tudo. A Bíblia explica a razão das anomalias que tornam ameaçadores e repelentes alguns aspectos da natureza. Por outro lado, ela também promete que um dia Deus restaurará a natureza à sua perfeição original.

I. O Livro da Natureza

Apesar de seu atual estado imperfeito, a beleza e a harmonia da natureza prestam testemunho convincente de que uma divina Inteligência criou e mantém o mundo visível. "Em todas as coisas criadas vêem-se os sinais da Divindade. A natureza testifica de Deus. A mente sensível, levada em contato com o milagre e mistério do Universo, não poderá deixar de reconhecer a operação do poder infinito." – Ellen G. White, Educação, pág. 99.

Paulo afirmou que a natureza presta um testemunho tão claro de um amorável Criador, que mesmo os pagãos, a quem falta a Palavra escrita de Deus, têm clara percepção de Sua lei moral. Sua consciência é capaz de distinguir entre o certo e o errado (ver Rom. 2:12-16). No Salmo 19, Davi fala da íntima relação entre a lei natural e a lei moral. Ele testifica que a luz gloriosa do Sol e das estrelas, em suas órbitas precisas, é um símbolo da constante justiça e do amor de Cristo. "DEle procede toda a vida. Unicamente em harmonia com Ele poderá ser achada a verdadeira esfera daquelas funções. Para todas as coisas de Sua criação, a condição é a mesma: uma vida que se mantém pela recepção da vida de Deus, uma vida exercida de acordo com a vontade do Criador." – Ellen G. White, Educação, pág. 99.

II. O Livro das Escrituras

Deus, a palavra viva, revela Sua mente por meio da linguagem inspirada. Ele personificou Seus pensamentos nas Escrituras, que falam a toda geração com importância contemporânea e eterna. Somente pela Escritura podemos compreender plenamente as razões por que um mundo pleno de evidências de uma Inteligência perfeita e criativa, ainda assim está arruinado por sofrimento, morte, desastres, crueldade dos animais, e outras perversões da natureza. A Bíblia revela a origem e o fim desses problemas.

O interesse de Deus em comunicar-Se conosco é tão intenso que Cristo, a Divina Palavra Viva, tornou-Se homem (João 1:1-14; Rom. 8:3). Jesus explicou todas as verdades da Bíblia não somente por Seus ensinos, mas também por Sua vida. Ele foi o Comentário encarnado da lei de Deus e da palavra profética. Por Seu Espírito, Ele capacitou os apóstolos a pregarem e escreverem palavras de verdade que foram preservadas como a Bíblia. Em Sua oração sumo-sacerdotal, Ele pronunciou uma bênção sobre todas as futuras gerações que nEle cressem através de Sua palavra (João 17:20; ver também João 20:30 e 31; Efés. 2:20-22; I Tess. 2:13; I Ped. 2:20-25).

III. A Harmonia Entre Natureza e Escrituras

Aqueles que aceitam as Escrituras possuem a chave de muitos dos mistérios da natureza que desafiam os cientistas mais preparados e que rejeitam a Palavra de Deus. Embora não pretenda ser um livro de ciência, a Escritura representa corretamente o mundo natural que saiu das mãos do Criador. Deus nos informa a respeito de Sua Criação no contexto desta visão de mundo bíblica.


ESTUDO INDUTIVO DA BÍBLIA

Textos: Salmos 19:1-6; 121; Jó 38

1. Quais podem ser os propósitos do livro da natureza? Eles se relacionam com os propósitos de Deus para a Palavra escrita?

2. Quais são os limites do que podemos aprender do livro da natureza? Se consultássemos somente esse livro para aprender de Deus e de nossas origens, o que perderíamos? O que ficaríamos sem conhecer?

3. Deus deu Seu Filho à humanidade como um dom de amor. Muitos dos símbolos de Jesus e de Sua obra na Terra provêm do mundo natural. Usando as Escrituras como referência, mencione algumas das maravilhas naturais que Jesus usou como símbolos de Suas realizações. Como cada uma dessas coisas nos ajuda a compreender o plano de Deus para nós?

4. O astrônomo Galileu descobriu sem sombra de dúvida que a Terra circula em redor do Sol. Ele foi considerado herege pela Igreja de seu tempo porque sua descoberta não se enquadrava na opinião corrente sobre o Universo. Como podemos evitar cair no mesmo tipo de armadilha hoje? Como a Bíblia nos pode ajudar a avaliar as afirmações científicas para que nem sejamos desencaminhados por interpretações ateístas nem cegados pela tradição?

5. Na antigüidade, as pessoas adoravam elementos da natureza, como o Sol e a Lua e alguns animais. Em nosso tempo, certas religiões e sistemas de crenças defendem o mesmo tipo de adoração. Eles perdem de vista o mesmo Ser que está por trás e à parte dessas coisas. Que passagens você poderia usar para mostrar que Deus não é simplesmente uma força da natureza, mas que Ele é o objeto verdadeiro de adoração, acima e à parte de tudo o mais na Criação? Faça uma lista dos versículos que encontrar.

IV. Existe Contradição Entre a Bíblia e a Natureza?

Somente quando nossos pressupostos sobre a vida forem falsos a natureza e a revelação divina parecerão contraditórios. Satanás distorceu de tal forma a harmonia da natureza, uma vez perfeita, que, a menos que creiamos na explicação bíblica da origem do pecado e dos princípios de justiça e de misericórdia de Deus, seremos deixados com muitas perguntas frustrantes sobre se Deus existe, ou por que Ele tolera o pecado e o sofrimento.

A Bíblia indica claramente que a revelação de Deus por meio da consciência e da natureza é convincente. Somente o espírito de egoísmo e descrença pode induzir a humanidade (criada à imagem de Deus) a sufocar a convicção de que Ele existe e cuida de Sua Criação (ver Rom. 1:19 e 20; II Ped. 3:3).

V. Fé e Razão

A Bíblia de forma alguma se opõe à razão. A Bíblia é suprarracional, não subracional. Quer dizer que a verdade de Deus, embora inclua toda a nossa compreensão e conhecimentos válidos, ultrapassa infinitamente nossa sabedoria e está fundamentada em verdades eternas, e não nas inconstantes idéias humanas. Tentar medir o infinito conhecimento de Deus por meio de nossa mente finita é aceitar conceitos distorcidos e avaliações viciadas. De fato, a sabedoria deste mundo, em seu máximo grau, é tolice para Deus (ver I Cor. 1:19-21). Assim como Sua bondade e amor estão além de tudo o que podemos pedir ou pensar, o mesmo se dá com Sua inteligência e conhecimento (ver Rom. 11:33; Efés. 3:17-19; Filip. 4:7). Toda explicação filosófica da vida que ofereçamos, independente da revelação divina, simplesmente obscurece o conselho com palavras sem conhecimento (Jó 38:2). Por uma educação deficiente, somos muitas vezes doutrinados com completas conjecturas como se fossem fatos comprovados, e deixamos de distinguir entre os dois. A Palavra de Deus nos ensina a fazer diferença entre a verdade e o erro, e a discernir as influências conflitantes de cada um. Devemos, portanto, submeter nosso discernimento sem reservas a Sua palavra.


TESTEMUNHANDO

Texto: Salmo 111:10

Poucas qualidades humanas são mais admiráveis que a humildade, e poucas são igualmente tão raras. A humildade em face do que ainda não sabemos ou compreendemos plenamente nutre uma mente flexível e disposta a aprender, capaz de mudar de idéia quando convencida, e que resista ao preconceito e à especulação. "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam" (Salmo 111:10), lembra-nos o salmista.

Muitos cristãos compreendem a necessidade de serem humildes ante as verdades inspiradas da Bíblia, mas poucos percebem a humildade que deve acompanhar uma fiel observação do mundo natural. Como resultado, as chamadas sociedades cristãs do mundo ocidental têm assumido a liderança na terrível poluição da terra, da água e do ar, que ameaçam romper o frágil ecossistema do Planeta Terra.

A bióloga Rachel Carson, cuja pesquisa pioneira sobre os efeitos danosos dos pesticidas lançou os fundamentos da atual consciência ambiental, aconselhava cultivar em nós mesmos e em nossos filhos um senso de admiração. Muitos dos que deram ouvidos a suas palavras agora estão nos chamando de volta a cuidar da Terra, no que os cristãos deveriam participar.

Como sua congregação ou os membros de sua classe da Escola Sabatina podem demonstrar suas convicções a respeito do cuidado do mundo criado por Deus? Você trabalharia com outros membros de sua comunidade num esforço comum, ou lideraria um projeto de limpar as beiras de estradas, terrenos vazios, ou margens de córregos?

Como nossa experiência espiritual com Deus, o Criador, se relaciona com sermos bons mordomos de Sua Criação? Como nossa atitude para com o meio ambiente afeta nossa pregação a respeito de doutrinas como o sábado e a mordomia? Que comentários você poderia acrescentar sobre o meio ambiente nesses estudos bíblicos?


APLICAÇÕES À VIDA DIÁRIA

Ponto de Partida: Descreva alguma ocasião em que sentiu-se especialmente próximo de Deus, no ambiente natural. O que havia no ambiente que fez você pensar em Deus? E o que você apreciou especialmente no Criador?

Questões Para Debate:

1. Dê alguns exemplos da natureza que mostram que a Criação tem um ciclo de constante renovação. Quais são as implicações para a vida espiritual?

2. Você pode explicar por que tantos cientistas e estudantes da natureza recusam reconhecer o Criador na natureza? Como uma pessoa sem preparo nas ciências pode responder a esses (assim chamados) especialistas?

3. Muitas pessoas não têm acesso à Bíblia em sua própria língua. O que essas pessoas podem aprender da natureza, o segundo livro de Deus? Ela é suficiente para a experiência da salvação? (Ver Rom. 1:18-20)

4. A natureza, embora inspiradora e majestosa, também é o local de um ciclo de vida que inclui criaturas que são algumas vezes predadoras, outras vezes, presas. Isso é parte do ideal de Deus?

Perguntas de Aplicação:

1. Quando comenta a Criação com amigos não crentes, que argumentos eles achariam mais lógicos e atraentes? Esses argumentos seriam científicos ou bíblicos? Se o apoio bíblico não ajudar, o que pode ajudar?

2. O estudo das ciências é o estudo das coisas observáveis e documentáveis. A fé pode ser documentada? O que você poderia mencionar para confirmar sua fé num Criador amorável, pessoal?

3. Você conhece alguém no trabalho que se aprofundou na teoria da evolução. Ele não pode conceber uma explicação das origens humanas que não envolva milhões ou bilhões de anos. Qual é a maneira mais cristã de tratar do assunto? Ou é preciso tratar desse assunto, afinal?