Auxiliar e Comentários Adicionais


ESBOÇO

Texto-chave: Gênesis 2:1-3

Objetivos:

1. Reafirmar o ensino de que em Gênesis temos um relato confiável e histórico da Criação.

2. Explorar as implicações do relato bíblico da Criação.

3. Apreciar o relacionamento entre Criação, queda e restauração.

Esboço:

I. A Bíblia apresenta um relato histórico da Criação (Gên. 1:1 e 2).

A. Existe uma quantidade de teorias a respeito do que significa Gênesis 1:1 e 2: teoria do intervalo, teoria da ruína e restauração, e outras.

B. Um relato bíblico pode ser historicamente correto sem precisar ser completo.

C. Visto que o objetivo primordial da Bíblia é a história da salvação, o Gênesis não se envolve com um relato completo e científico da Criação.

II. A Bíblia insinua que a semana da Criação não foi necessariamente o princípio de tudo (Gên. 1:1 e 2).

A. A Bíblia sugere que existiam seres criados antes da criação da Terra (Jó 38:7).

B. A Bíblia sugere que existiam anjos quando a Terra foi criada (Jó 38:7; comparar com Jó 1:6).

C. A Bíblia ensina que a Divindade existia antes da criação da Terra, e desde a eternidade (Gênesis 1; João 1:1-3).

III. A Bíblia trata da origem, do propósito e do destino deste mundo (Gên. 1 e 3).

A. A Criação era completa num mundo perfeito.

B. O pecado corrompeu o mundo perfeito.

C. A maior parte da Bíblia destina-se a mostrar como Deus corrige a corrupção.

Sumário:

Temos na Bíblia uma história da Criação do mundo e da humanidade. Essa Criação foi distorcida pela revolta humana contra Deus. Mas o plano de Deus não será derrotado. Em Gênesis temos uma descrição correta, embora não técnica, da Criação. Os escritores bíblicos interessam-se pela solução do problema do pecado.

Comentários

O que as pessoas pensam que é impossível, é perfeitamente possível com Deus. É fraqueza de fé dizer: Sim, Deus criou o mundo, mas isso requereu milhões de anos. Para Deus, a Criação não é tarefa difícil, mas um feito que Ele executa facilmente e com habilidade. Quando Jesus curava cegos, coxos e leprosos, não fazia uso de processos evolutivos desajeitados, mas operava cada um desses atos criativos instantaneamente. Isso ilustra em pequena escala o poder criativo que Ele empregou na semana da Criação.

I. "No Princípio... Deus..."

A Bíblia afirma simplesmente que "pela fé, entendemos que foi o Universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem" e "Os céus por Sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de Sua boca, o exército deles" (Heb. 11:3; Sal. 33:6). Afinal, a criação das estrelas e das massas inanimadas de pedras e água podem não ter requerido mais tempo e habilidade do que a criação do homem, um organismo extremamente complexo, e que foi criado num único dia.

Entre as várias coisas criadas (bara) por Deus e registradas pela Bíblia estão: os céus e a Terra (Gên. 1:1; Isa. 40:28; 42:5; 45:18), o homem (Gên. 1:27), as estrelas (Isa. 40:26), um coração puro (Sal. 51:10), novos céus e nova terra (Isa. 65:17). – SDA Bible Dictionary, nova edição, pág. 245. Outras palavras na Bíblia hebraica que significam ‘fazer’ ou ‘formar’ são asa e yatzar. Essas duas palavras sempre se referem a fazer algo de matéria preexistente, o que tanto Deus como o homem podem fazer. Mas bara é usado exclusivamente para os atos de Deus. Somente Deus pode criar (bara) matéria a partir do nada (Gên. 1:1; João 1:1-3). "Essa criação de todas as coisas do nada torna a Bíblia diferente de todas as cosmogonias [Ciência... que trata da origem e evolução do Universo – Aurélio] e especulações filosóficas, que consideram eterna a matéria." – A. R. Fausset, Bible Encyclopaedia and Dictionary, pág. 141. "Na criação da Terra, Deus não dependeu de matéria preexistente." – Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, pág. 414.

II. Antes da Criação

Os textos da lição de terça-feira deixam claro que o Universo, o Céu, os anjos e milhares de mundos habitados existiam antes da criação de nosso mundo. "Todo o Céu tomou profundo e jubiloso interesse na criação do mundo e do homem. Os seres humanos eram uma nova e distinta ordem. Foram criados ‘à imagem de Deus’, e o desígnio do Criador era que povoassem a Terra. Destinavam-se a viver em íntima comunhão com o Céu, recebendo poder da Fonte de todo poder. Sustidos por Deus, deviam viver vida impecável." – Ellen G. White, Filhos e Filhas de Deus (Meditações Matinais, 1956), pág. 7.

Antes da criação do mundo, "o grande Criador convocou as hostes celestiais, para na presença de todos os anjos conferir honra especial a Seu Filho. ... A palavra do Filho devia ser obedecida tão prontamente como a palavra do Pai. Seu Filho foi por Ele investido com autoridade para comandar as hostes celestiais. Especialmente devia Seu Filho trabalhar em união com Ele na projetada criação da Terra e de cada ser vivente que devia existir sobre ela. ... Lúcifer estava invejoso e enciumado de Jesus Cristo." – Ellen G. White, História da Redenção, págs. 13 e 14. A expulsão de Lúcifer dos concílios da Divindade, especialmente com relação à criação do mundo, agravou a inveja que já crescia em seu íntimo. Não admira que ele se esforce para vingar-se, obscurecendo a verdade sobre a Criação, e fazendo a humanidade esquecer o conceito de sua nobre origem, levando-a a assumir noções sombrias e degradadas, crendo ser produto de uma evolução impessoal.

III. Nosso Criador

O Deus Todo-poderoso, Nosso Amigo Pessoal. Muitas passagens da Bíblia, como os Salmos 8, 95, 96, 100, 104, 148 e Isaías 40–45 exaltam o amor do Criador por Suas criaturas. Compaixão e profundo interesse em nosso bem-estar completo caracterizam Seus motivos e ações. Ele também busca manter comunhão e companheirismo conosco. Esse relacionamento, estabelecido no Jardim do Éden com Adão e Eva, continuou após o pecado através da verdadeira adoração. Embora não possamos agora ver a Deus face a face, como Adão e Eva antes do pecado, podemos contemplar Seu caráter em Cristo e em Sua Palavra. A contemplação diária prepara-nos para a comunhão plenamente restaurada com Ele quando formos glorificados na segunda vinda de Cristo (Apoc. 22:3 e 4).


ESTUDO INDUTIVO DA BÍBLIA

Textos: Gên. 1:1; Prov. 8; Luc. 1:1-4

1. Por que fazemos perguntas como: Quando se deu a Criação? E como aconteceu? Poderíamos responder que Deus nos deu em Sua Palavra tudo o que precisamos conhecer. Mas pessoas de todas as convicções e de todas as religiões continuam a procurar evidências a respeito de nossas origens no domínio da natureza. O que podemos ganhar ao examinar a Terra como a encontramos hoje? Quais são os limites dessa investigação?

2. O registro geológico de nossa Terra não é completamente conhecido, mas as mentes seculares querem construir um modelo que explique as informações visíveis. Que tipo de modelo os criacionistas poderiam construir, usando as mesmas informações?

3. Provérbios 8 registra que a sabedoria existia antes da Criação, e que era a fiel companheira de Deus durante o tempo da criação do mundo. Como a sabedoria contribuiu para a criação do mundo, antes do pecado? A sabedoria seria uma personificação do Cristo preexistente? Explique.

4. As palavras de Gênesis 1:1 fazem uma afirmação muito clara. O verso pode ser considerado um simples resumo, ou pode ser considerado um preâmbulo que tenha muitos significados ocultos. Qual é a sua posição, e por quê?

5. Gênesis 1 e Gênesis 2 contêm detalhes semelhantes da criação do homem e a criação de um ambiente para ele. Poderíamos considerar Gênesis 2 uma explicação expandida do sexto dia da Criação? Que elementos o capítulo 2 acrescenta ao capítulo 1, ilustrando os propósitos de Deus na Criação?

6. Gênesis 1:25 diz que Deus fez os animais selváticos, os animais domésticos e todos os répteis da Terra. Se todas as criaturas viviam sem medo e eram mansas, antes do pecado, o que essas três distinções indicam?

IV. Mudanças Depois do Pecado

Depois do pecado, Deus permitiu que ocorressem alterações na natureza, destinadas a reabilitar a humanidade em sua condição espiritualmente enfraquecida (Gên. 3:17-19). Para benefício de Adão e de seus descendentes, as condições na Terra eram muito menos satisfatórias do que tinham sido antes da transgressão humana. A agricultura agora era dificultada pela presença de espinhos e cardos, e os animais já não demonstravam dócil sujeição ao homem.

"E a vida de labutas e cuidados que dali em diante deveria ser o quinhão do homem, foi ordenada com amor. Uma disciplina que se tornara necessária pelo seu pecado, foi o obstáculo posto à satisfação do apetite e paixão, e o desenvolvimento de hábitos de domínio próprio. Fazia parte do grande plano de Deus para a restauração do homem, da ruína e degradação do pecado." – Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, pág. 60.


TESTEMUNHANDO

Texto: Salmo 8

Muitos estão falando sobre os assim chamados ancestrais da humanidade, a teoria do Big-Bang, e especulam sobre a vida em Marte. Os adventistas têm muitas oportunidades de falar com pessoas de muitas convicções religiosas, que estão avaliando esses assuntos com renovado interesse.

Se já houve um tempo em que os adventistas precisaram de uma abordagem consciente e fiel da ciência, esse tempo é agora. Mas, infelizmente, alguns adventistas são tentados a retrair-se num dogmatismo cego, em vez de se envolverem com os honestos pesquisadores da verdade. "Deus disse, eu creio, e isso é tudo para mim" pode ser suficiente como declaração da própria fé, mas pode oferecer muito pouco a outros, para quem estamos testemunhando.

Num recente artigo intitulado "O Quarto Dia", publicado pela Adventist Review, o Dr. Ariel Roth dá um excelente exemplo de clareza de pensamento sobre os detalhes do desígnio de Deus na semana da Criação, e de como pensar a respeito da ciência de modo geral. Roth, ex-diretor do Instituto de Pesquisas sobre Geociência, da Associação Geral, examina pacientemente quatro enfoques válidos para a compreensão do relato de Gênesis sobre a origem do Sol, da Lua e das estrelas, ilustrando sua pesquisa com freqüentes menções tanto da Bíblia como do Espírito de Profecia.

Ele mostra que existem diversas posições que levam em conta tanto a Bíblia como a boa ciência, e afirma que os cristãos individuais podem diferir em respostas a algumas questões bíblicas sem prejuízo.

A fé em Jesus é razoável e verdadeira. Como você e os membros de sua Escola Sabatina podem aprender a falar de forma mais convincente acerca de sua crença de que a fé na
Bíblia e a boa ciência não se excluem?


APLICAÇÕES À VIDA DIÁRIA

Ponto de Partida:

O que você tem de mais valioso? O que o torna tão valioso?

Questões Para Debate:

1. Numa primeira leitura, o relato de Gênesis sobre a Criação é elegante, simples e profundo. Qual é sua posição sobre tantas interpretações alternativas e divergentes sobre ele? O que essas opiniões dizem sobre aqueles que as promovem?

2. Descreva em suas próprias palavras a diferença entre os dois nomes para Deus usados em Gênesis 1 e 2 (Elohim e Yahweh). Como esses nomes ampliam sua compreensão do caráter de Deus, e se complementam? Como os diferentes aspectos do caráter de Deus afetam sua vida diária?

3. É possível comentar com confiança a lição desta semana sem conhecer o hebraico? Como você descreveria as questões envolvidas no debate sobre Gênesis 1 e 2? Numa escala de 1-10 (sendo 10 o mais importante), que valor você daria ao entendimento dessas passagens para compreender corretamente a história da Criação?

Perguntas de Aplicação:

1. A lição desta semana trata de dois assuntos relativos à interpretação de Gênesis 1 e 2. Conhecer esses dois assuntos pode ajudar numa conversa que tenha com um amigo que queira conhecer melhor a Bíblia?

2. Você concorda com esta afirmação? "A maior parte da discussão em torno de como interpretar o relato do Gênesis sobre a Criação é resultado das pessoas tentando conciliar a narrativa bíblica com as evidências científicas."

3. Por que as primeiras quatro palavras da Bíblia: "No princípio criou Deus..." são a moldura sobre a qual discutir essas questões?

4. Em última análise, o que é mais importante: a força de sua lógica ou a força de sua influência pessoal? É possível ter uma sem a outra?