Lição 5


Uma Criação Recente


Sábado à Tarde

Ano Bíblico: Isa. 5–7

TEXTO DA SEMANA: Sal. 103:7; Isa. 46:9 e 10; II Ped. 1:16-19; 3:3-7

VERSO PARA MEMORIZAR: "A ardente expectativa da Criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a Criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria Criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus." Rom. 8:19-21

PENSAMENTO-CHAVE: A Bíblia apresenta a história deste planeta como um grande conflito entre Jesus e Satanás, que vem acontecendo por alguns milhares de anos.

UMA CRIAÇÃO RECENTE. Um dos temas de debate mais candentes nos tempos modernos é a questão de como a vida veio a existir na Terra. Existem duas escolhas básicas: (1) Através de lentos processos naturais de evolução, ou (2) através de uma Criação recente. A questão de tempo está intimamente relacionada com este assunto – há quanto tempo existe vida no planeta? O contraste é enorme – ou centenas de milhões de anos ou uns poucos mil anos. Os argumentos aqui apresentados baseiam-se na aceitação de um relato plenamente inspirado e historicamente confiável do início da história terrestre, de acordo com a Palavra de Deus. "Procedeu [a Bíblia] diretamente da fonte da verdade eterna, e no decorrer dos séculos uma mão divina tem preservado a sua pureza. Ilumina o remoto passado, onde a pesquisa humana debalde procura penetrar. Somente na Palavra de Deus contemplamos o poder que lançou os fundamentos da Terra e estendeu os céus." – Ellen G. White, Educação, pág. 173.


Domingo

Ano Bíblico: Isa. 8–10

Quanto Tempo? - Gên. 1:1 e 2; II Ped. 3:3-5; Gên. 5 e 11

1. É possível saber quanto tempo se passou desde a semana da Criação? As passagens a seguir sugerem que o mundo tem cerca de 6 mil anos de idade? Gên. 1:1 e 2; capítulos 5 e 11; II Pedro 3:3-5

Deve-se reconhecer que não existe na Bíblia um único verso que nos conte precisamente em que ano, ou quanto tempo faz que a Criação teve lugar. Ainda assim, existe uma considerável soma de dados cronológicos na Bíblia que, quando examinados em conjunto, apontam para uma Criação recente. Por esta razão, a idéia de que a semana da Criação ocorreu apenas uns poucos mil anos atrás tem sido geralmente aceita, tanto pelos crentes judeus como pelos cristãos, através da História. Esta compreensão era quase universalmente aceita entre os cristãos até o século 19, quando as descobertas da moderna geologia começaram a questionar essa conclusão. Ellen White disse que "muitos dos que professam crer na Bíblia têm dificuldades para conciliar as maravilhas encontradas na Terra com o conceito de que a semana da Criação teve apenas sete dias literais, e que o mundo tem agora somente cerca de seis mil anos de existência".Signs of the Times, 20 de março de 1879.

Através dos séculos, muitos estudantes da Bíblia têm-se fascinado com os dados cronológicos da Bíblia e tentam usar essa informação para reconstruir uma cronologia do mundo. Porém, o material cronológico na Bíblia nem sempre é fácil de entender, e os eruditos não têm sido capazes de concordar quanto a uma cronologia bíblica única. Assim, não surpreende que por volta do ano 1738, Des Vignolles, da Real Sociedade de Berlim, pudesse afirmar que conhecia pelo menos duzentas cronologias bíblicas, com as datas para a Criação variando de 3500 a 7000 a.C. A mais conhecida dessas cronologias foi a do Arcebispo James Usher (1581-1656), de Armagh, Irlanda do Norte, cujo diagrama se tornou mundialmente conhecido porque foi escolhido para ser usado na margem da versão King James da Bíblia em 1679. De acordo com Usher, a Criação teve lugar no ano 4004 a.C. A data de Usher foi tornada mais precisa mais tarde pelo Dr. John Lightfoot, de Oxford, que afirmava (infelizmente, sem muito apoio bíblico) que Adão foi criado às 9 horas da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C.!

Há outras evidências, além da cronologia de Usher, para defender uma cronologia curta. As mais de 200 cronologias bíblicas notadas por Des Vignolles revelam duas coisas: primeira, o fato de que os dados bíblicos podem ser reunidos ou interpretados de várias formas. Isso nos ensina a não sermos muito dogmáticos. Segundo, todas essas cronologias apontam para uma Criação recente. Assim, apesar de algumas incertezas, não há razão para sugerir que a Bíblia ensine ter ocorrido a Criação milhões de anos atrás, ou num período de muitos milhões de anos.


Segunda

Ano Bíblico: Isa. 11–14

Intervalos Não Registrados? - Esdras 7:1-5; I Crôn. 6:3-15

2. Existem indicações de que houve intervalos não registrados na genealogia bíblica? Esdras 7:1-5, I Crôn. 6:3-15

Alguns têm sugerido que o período que se passou desde a semana da Criação poderia ser estendido se houvesse intervalos entre as gerações, nas genealogias de Gênesis 5 e 11. É verdade que muitas vezes, tanto nas genealogias modernas como nas antigas, no Oriente Próximo, a relação pai-filho nem sempre devia ser considerada muito direta – o assim chamado "pai" podia em verdade ser o avô, tataravô, etc. Parece haver esses exemplos de genealogias resumidas em porções da Bíblia escritas mais tarde. Por exemplo, se a genealogia de Esdras 7:1-5 for comparada com a existente em I Crônicas 6:3-15, parece que seis gerações são omitidas em Esdras. Aparentemente, nesta passagem, confirmar a linhagem de descendência era mais importante do que fornecer o registro completo da genealogia.

Os antigos produziam genealogias por diversas razões. Muitas genealogias do antigo Oriente Médio descobertas recentemente foram produzidas pela elite sociopolítica de grandes burocracias governamentais da época. As genealogias produzidas – não é de surpreender – estavam geralmente preocupadas com a sucessão de funcionários – especialmente reis, e também, ocasionalmente, sacerdotes (que atuavam em funções políticas e religiosas) e escribas. O propósito dessas genealogias era dar status a indivíduos e justificar a posse de determinado cargo ou terra.

As genealogias bíblicas mais recentes – especialmente depois do surgimento da monarquia – também tinham por vezes esse propósito. Os exilados israelitas que retornavam para a pátria sem dúvida estavam preocupados, naquela época, em recuperar a terra de seus ancestrais, e as genealogias poderiam ser importantes para assisti-los neste propósito. As genealogias também seriam importantes para determinar a legitimidade daqueles que alegavam ter direito a determinados cargos, especialmente as funções levíticas. Esta pode ser parte da razão por que os livros de Esdras e Neemias registraram as genealogias dos exilados que retornaram (ver Esdras 7 e 8 e Neemias 7). As disputas sobre genealogias para determinar os direitos ou status na sociedade provavelmente eram o que estava por trás do conselho de Paulo para não perder tempo discutindo genealogias (I Tim. 1:4 e Tito 3:9); não era um interesse na cronologia. Por contraste, as genealogias de Gênesis 1–11 têm uma função bem diferente, que reflete claramente as preocupações de uma sociedade pré-monárquica, estruturada em tribos (as pessoas a quem Moisés estava escrevendo originalmente). As genealogias, assim, estão preocupadas somente com relações de parentesco; não de cargos e propriedade de terras, onde as genealogias resumidas eram suficientes.


Terça

Ano Bíblico: Isa. 15–19

Uma Questão de Propósito - Gên. 5 e 11

3. Depois de ler a explicação abaixo, você pensa que houve intervalos nas genealogias de Gênesis 5 e 11?

Existem várias razões para se acreditar que as genealogias de Gênesis 5 e 11 não foram deliberadamente resumidas, como outras algumas vezes foram. Primeira, essas antigas genealogias bíblicas não podem ser comparadas simplisticamente com outras genealogias do Oriente Médio, ou mesmo com aquelas que aparecem mais tarde na Bíblia. Como ressalta corretamente o erudito do Antigo Testamento Richard Hess, nenhum dos antigos exemplos do Oriente Médio tem um paralelo exato com a forma como as genealogias de Gênesis 1–11 foram escritas.

Especificamente, as genealogias de Gênesis 5 e 11 são diferentes, no sentido de que são expressas no que Gerhard Hasel descreveu como uma fórmula crono-genealógica, isto é, quando a pessoa X viveu tantos anos, gerou a pessoa Y; depois que gerou Y, ela viveu tantos anos mais; no total, ela viveu tantos anos. Como observa T. C. Hartman, o total de anos vividos e a idade com que o próximo nome foi gerado "nunca é registrado nas listas dos reis antigos do Oriente Médio. Nesse ponto, estas listas estão em contraste com as genealogias bíblicas, para as quais o único propósito de usar números parece ser o de registrar o termo de vida de cada personagem e a idade na qual gerou o próximo figurante da lista..." – "Some Thoughts on the Sumerian King List...", Journal of Biblical Literature, vol. 91, págs. 25-32. Esta fórmula não apenas é única na Bíblia, como é construída tão solidamente que torna impossível interrompê-la pela inclusão de um intervalo de gerações.

Esta solidez é reforçada pelo verbo hebraico ‘gerou’ usado nestas passagens (wayyoled-et); é o verbo mais comumente usado na Bíblia para expressar a paternidade física de um descendente (Juí. 11:1; I Crôn. 8:9; 14:3; II Crôn. 11:21; 13:21; 24:3). Quando combinado com a fórmula genealógica única, é virtualmente impossível inserir intervalos de gerações nessas genealogias. A combinação da fórmula de tempo com essa forma verbal sugere que o autor de Gênesis 1–11 estava interessado tanto no tempo como na exatidão dessa genealogia.

Considerando todas as genealogias aparentemente sem interesse na Bíblia, por que você acha que Deus queria que estivessem ali?

Quarta

Ano Bíblico: Isa. 20–23

Não Sem Testemunhas

4. O que o Espírito de Profecia diz sobre o propósito dessas antigas genealogias, bem como sobre a possibilidade de intervalos? (Ver Patriarcas e Profetas, págs. 125 e 83.)

Em Patriarcas e Profetas, Ellen White enfatiza um ponto importante – que Deus nunca esteve sem testemunhas fiéis na Terra (pág. 125). Assim, escreve ela: "Durante centenas de anos houve sete gerações vivendo na Terra contemporaneamente, tendo a oportunidade de consultarem entre si, e aproveitar cada uma dos conhecimentos e experiência de todas." (pág. 83, itálico acrescentado.)

5. De acordo com Ellen White, como Enoque aprendeu sobre a queda e sobre o plano de salvação? Patriarcas e Profetas, pág. 84.

Enoque ouviu "dos lábios de Adão... a triste narrativa da queda" e a história "da graça de Deus, conforme se vê na promessa" (pág. 84). A idéia de que Enoque poderia ter convivido com Adão é possível apenas se aceitarmos que as genealogias de Gênesis 5 e 11 devem ser consideradas literalmente, sem intervalos. Se for este o caso, Adão e Enoque foram contemporâneos por 308 anos" (ver SDA Bible Commentary, vol. 1, pág. 185).

6. Baseado na explicação que segue, para que grande acontecimento a trasladação de Enoque serve como advertência?

A trasladação de Enoque ao Céu, pouco antes da destruição do mundo por um Dilúvio, compara-se com a trasladação dos justos vivos da Terra e a destruição dos ímpios na Segunda Vinda.

Matusalém, o filho de Enoque, ouviu a pregação de seu neto Noé, que fielmente advertiu os habitantes do antigo mundo de que um dilúvio de águas sobreviria à Terra. Matusalém, com seus filhos e netos, vivia no tempo da construção da arca (ver Spiritual Gifts, págs. 59 e 60).

Enoque andou com Deus antes de sua trasladação deste mundo para o Céu. Andar com Ele aqui nos leva a andar com Ele lá. Como estou andando com Jesus agora, e aqui, enquanto aguardo Sua breve volta?

Quinta

Ano Bíblico: Isa. 24–26

Comentários do Espírito de Profecia

7. Qual era a posição de Ellen White sobre a idade da Terra?

Não existe a mínima dúvida de que Ellen White endossava uma Criação recente – isto é, que a Criação teve lugar apenas alguns milhares de anos atrás. Dezenas de vezes ela faz referência ao fato de que "o mundo tem agora apenas seis mil anos". Algumas pessoas têm indagado se a expressão "seis mil anos", que ela repetia constantemente, era algo revelado por Deus, ou se era uma expressão que usava a partir de anotações da Bíblia King James, assim como usava fatos de livros de História.

Apesar de ser verdade que ela nunca tornou explícito que a expressão "seis mil anos" lhe foi revelada por Deus, ela era muito específica em declarar que as revelações de Deus negavam explicitamente uma data da Criação anterior à que permitia o relato bíblico. À parte da história bíblica, a geologia nada pode provar. Os registros encontrados na Terra dão evidência de um estado de coisas diferente em muitos aspectos do presente. Mas o tempo de sua existência, e por quanto tempo essas coisas estiveram sobre a Terra, devem ser compreendidos somente pela história bíblica. (Ver Patriarcas e Profetas, pág. 112.)

Antes disso, referindo-se à teoria "dia-era", ela nega explicitamente a alegação dos geólogos descrentes de que o mundo é muito mais velho do que o relato bíblico faz entender. Ela observa que esses geólogos "rejeitam o relato bíblico, por causa das coisas que são para eles evidências da própria Terra, que o mundo existe por dezenas de milhares de anos".Spiritual Gifts, vol. 3, págs. 91 e 92.

Essas declarações sugerem que se alguém procurasse questionar Ellen White sobre os 6.000 anos, sua resposta seria simplesmente: "Sem discussão, vejamos o que a Bíblia diz e seguir sua guia." O Senhor, porém não deixou dúvidas em sua mente de que o tempo para a Criação deveria ser medido apenas em milhares de anos – não milhões, centenas de milhões, ou mesmo dezenas de milhares de anos.

Desde os dias de Ellen White, a ciência secular concluiu que a maior parte das rochas portadoras de fósseis na Terra tem cerca de 570 milhões de anos (para alguns organismos, até mais antigas). A verdadeira batalha é entre aqueles que defendem uma Criação recente, de apenas uns poucos milhares de anos, e aqueles que argumentam que a vida (e a morte) tem existido na Terra por milhões de anos.

Como uma crença numa história curta da Terra o ajuda a confiar em Deus?

Sexta

Ano Bíblico: Isa. 27–29

Estudo Adicional

Examine as seguintes passagens: Apoc. 6:10; 21:3-5; Rom. 8:22-27. O que esses textos nos dizem sobre o interesse de Deus pelo sofrimento da humanidade?

"Noé, o fiel pregoeiro da justiça, viveu trezentos e cinqüenta anos depois do dilúvio, e Sem quinhentos anos; e assim seus descendentes tiveram oportunidade de familiarizar-se com os mandos de Deus e a história de Seu trato para com os pais. Estavam, porém, indispostos a ouvir estas verdades, que lhes desagradavam; não tinham o desejo de conservar a Deus em seu conhecimento; e pela confusão das línguas ficaram em grande medida excluídos do intercâmbio com aqueles que lhes poderiam proporcionar luz."Patriarcas e Profetas, pág. 120.

Uma razão por que muitas pessoas sugerem que existem intervalos nas genealogias de Gênesis 5 e 11 é porque, na repetição da genealogia dos patriarcas posdiluvianos, Lucas inclui um nome adicional, Cainã, depois de Arfaxade (Luc. 3:35 e 36; Gên. 11:10-26). Este nome de Cainã é incluído na versão LXX (Septuaginta grega) de Gênesis 11, mas não no texto massorético (hebraico). Os estudiosos têm debatido há muito tempo qual versão é correta. Se havia originalmente um Cainã adicional na versão hebraica, a omissão de seu nome muito provavelmente foi resultado do erro posterior de um escriba, e não uma tentativa de abreviar essa genealogia. (Ver Mensagens Escolhidas, livro 1, pág. 16.)

PERGUNTAS PARA CONSIDERAÇÃO: 1. Qual é a importância de saber o ano exato da Criação? Qual é uma forma bondosa e correta de lidar com discordâncias sobre assuntos controversos como este?

2. A Bíblia sempre nos dá todos os detalhes que um especialista gostaria de ter? Por quê?

3. Que efeitos a rejeição dos seis dias literais da Criação tem sobre nossa visão a respeito do sábado e da salvação?

SUMÁRIO: Embora não possamos ser dogmáticos quanto ao ano preciso em que ocorreu a Criação, todas as informações bíblicas apontam para uma criação recente da vida sobre este planeta, apenas poucos mil anos atrás. O amor de Deus não permitirá que a dor, o sofrimento e a morte continuem a existir por muito tempo. Ele pretende redimir a Terra e seus habitantes em breve!