Esta
obra inicia-se com uma hipotética viagem, narrada em uma linguagem amena e bastante
acessível, retornando no tempo e no espaço a Ur dos Caldeus na época de Abraão. À
medida em que se progride de Ur para o norte, passando por várias cidades históricas,
vão sendo apresentadas informações sobre as divindades padroeiras, seus templos e o
culto a elas prestado, ao mesmo tempo em que começam a ser traçados paralelos com
costumes, tradições e linguagens de vários outros povos, ressaltando-se inicialmente os
índios das Américas, com destaque aos Incas, Maias e Astecas, além de grande número de
tribos do Brasil.
No decorrer do texto, numerosas
referências são feitas à origem comum das representações dramáticas anuais da
encarnação, morte e ressurreição do Messias, disseminadas entre vários povos da
antigüidade, bem como à representação simbólica desses acontecimentos associada ao
ciclo anual do percurso aparente do Sol e à sucessão das fases da Lua, sempre em
conexão com palavras e ideogramas da língua suméria e com o relato bíblico
correspondente.
A posição criacionista de
Guilherme Stein Jr. novamente se patenteia ao opor-se ele a aceitar que a astrolatria
tenha constituído um primeiro estágio evolutivo dos conceitos religiosos. De fato, sua
abordagem comparativa indica que as concepções abstratas da divindade, em sua forma mais
elevada, degradaram-se ao se considerar o símbolo, que passou a representá-las, como se
fosse a própria substância das idéias. Mediante essa mesma abordagem comparativa,
conclui ele também que, com a adição de distintos qualificativos, sob o mesmo nome,
freqüentemente abrigam-se divindades distintas, muitas vezes antitéticas, dando origem a
considerável dificuldade de interpretação para os assiriólogos e mitólogos. De
qualquer forma, a consideração de palavras em outras línguas, juntamente com as
concepções a elas subjacentes, permitiu a Guilherme Stein Jr. desenvolver sua
metodologia e aos poucos ir desvendando a "genealogia dos deuses", mostrando que
tudo pode ser explicado seguindo-se o fio de meada do relato bíblico.
Nesse sentido, várias
considerações são feitas, também, por ele, sobre lendas e tradições tanto
mesopotâmicas como de outras regiões, procurando mostrar o seu interrelacionamento e
caracterizá-las como degradações sofridas por um relato primordial comum. Nesta linha
situam-se, por exemplo, tópicos relacionados com a árvore da ciência do bem e do mal, o
jardim do Éden, anjos bons e maus, e outros tantos.
A árvore do conhecimento do bem e
do mal, por exemplo, relacionada diretamente com o relato bíblico do livro de Gênesis,
é algo que mereceu de Guilherme Stein Jr. considerações especiais, pela abrangência
dos conceitos envolvidos em torno do seu simbolismo.
A argumentação de Guilherme Stein
Jr. no decurso de toda a sua obra inédita enquadra-se na metodologia por ele arquitetada
que envolve complexas comparações das tradições religiosas e das línguas, e que ele
desenvolve com profundidade e abrangência. Seu ponto de vista fundamental, ao desenvolver
sua argumentação, é que na Suméria tiveram origem todas as demais religiões e
mitologias religiosas dos povos antigos e modernos. A primitiva religião suméria
identificava-se com o monoteismo bíblico, e prenunciava todo o desenrolar do drama
messiânico posteriormente revelado profeticamente aos Hebreus, e gradativamente
modificado e deturpado pelas tradições dos povos no decorrer dos séculos. Por mais que
as primitivas tradições puramente religiosas fossem adulteradas e mescladas com coisas
que lhes eram completamente alheias, acredita Guilherme Stein Jr. ser possível descobrir
os seus vestígios, penetrando na linguagem alegórica de que se revestem.
Em todos esses seus estudos
comparativos da religião, penetrando as tradições, lendas e mitos dos povos antigos e
modernos, Guilherme Stein Jr. jamais se afastou da posição que assumiu, desde o início
de seus estudos a respeito da revelação bíblica, com relação não só à
interpretação do texto bíblico, como também ao papel reservado à Igreja Adventista do
Sétimo Dia nos tempos atuais dentro do quadro profético de pregação do Evangelho a
todo o mundo. Em todos esses seus escritos inéditos observa-se perfeita coerência com a
sua posição doutrinária de adventista do sétimo dia, aliás o primeiro a batizar-se no
Brasil, nos idos de 1895. |